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Crónicas de uma mãe atrapalhada 2: o nosso anjo azul

Um dia escrevi sobre as aventuras e desventuras das delícias da maternidade e do milagre da vida! Este é a continuação dessas aventuras com um menino especial com autismo e um raro síndrome de deleção 18P

Crónicas de uma mãe atrapalhada 2: o nosso anjo azul

Um dia escrevi sobre as aventuras e desventuras das delícias da maternidade e do milagre da vida! Este é a continuação dessas aventuras com um menino especial com autismo e um raro síndrome de deleção 18P

Ser mãe pela primeira vez depois dos trinta…

uma memória do tempo da Bá

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Grávida de seis meses da Bá.

Ser mãe pela primeira vez depois dos trinta…

 

Ser mãe pela primeira vez depois dos trinta…

 

 

Sempre foi meu sonho, ser mãe. Fui mãe pela primeira vez aos 36 anos. Não escolhi  ser mãe tão tarde. A vida dá muitas voltas e depois de uma relação longa e com as minhas expectativas de vida já trocadas, ser mãe tinha-se tornado um sonho adiado. Quando conheci o pai da Bárbara tive a maior desilusão da minha vida: o homem que eu escolhera para estar ao meu lado e tinha tudo o que eu sonhara num homem para envelhecer ao meu lado, não queria ser pai!

 

Chorei muitas vezes escondida pois também não queria ter um ou uma filha não desejada. Que fazer? Procurar outra pessoa? Não, nem pensar! Eu amo este homem com os seus defeitos e qualidades. Desistir de ter filhos? Também não era opção. Pensei que se existisse mesmo amor, o amor venceria tudo! E confiei na vitória do amor.

 

Esperei quatro anos depois de conhecer o pai da Barbara até ao dia em que ele me falou nisso. Até ao dia em que ele me falou em termos um filho. Comecei a preparar as coisas para uma gravidez planeada. Comecei a fazer exames, ecografias, análises. Estava tudo bem. O médico disse que podia parar com a pílula que tendo em conta a idade, o facto de a tomar há muitos anos, levaria perto de uma ano.

Nem dois meses se passaram e descobri que estava grávida. Fiquei eufórica mas a minha euforia e alegria talvez pela surpresa de uma gravidez tão próxima não foram partilhadas. Tentei de todas as formas entusiasmá-lo, mas conforme o tempo ia passando sentia que não ia conseguir.

 

 

Nem quando a Bárbara nasceu eu senti o entusiasmo e a euforia de outros pais. O tempo foi passando e a personalidade viva da Bárbara acabou por conquistar o pai. Que se transformou num pai babado.

 

No entanto, para mim, foi difícil as minhas pernas incharam-me imenso e tive que passar muitos dias de cama. Passei quase o primeiro mês da Bárbara deitada para me desincharem as pernas. A recuperação do parto foi má, ao fim do primeiro mês ainda me custava andar. Um dos pontos da epiosotomia não tinha cicatrizado e doía-me. A Bárbara não agarrava bem a mama e chorava noites sem fim. De dia por vezes bastava-lhe dormir quinze minutos para passar o resto do dia acordado. Eu comecei a sentir-me muito cansada e sem energia.

Nunca consegui recuperar o meu ritmo de trabalho. A minha casa nunca voltou a estar arrumada.

Se precisava de ir a algum lado levava a Bárbara comigo, pois pouco tinha com quem ficasse. Até porque a Bárbara era amamentada e rejeitava o biberão mesmo que fosse leite do peito.

Passei três anos sem ir a um cinema. Ainda hoje sinto o dobro do cansaço e dificuldade em recuperar o meu ritmo. Mas aprendi a voltar ser criança, a dar valor aos pequenos momentos, sons, gestos, carinhos. Reaprendi a brincar.

Todos os meus planos giram em primeiro lugar em torno da minha filha e perdi a minha identidade para me transformar na mamã da Babá de quem tanto me orgulho.Mesmo que ás vezes me deixe de cabelos em pé.

Rezo para ver a minha filha crescer.

Talvez me sinta com menos energia para fazer as coisas do que se tivesse sido mãe mais cedo. Mas nunca me arrependi, pelo contrário se não repetir a dose será por falta de condições. Por isso a quem pensa que perdeu a oportunidade de ser mãe por ainda não ter tido a oportunidade desejada, e pensa que já tem idade demais, eu digo não desistam. Confiem em vocês, nos vossos desejos, na medicina e para quem acreditar , em Deus.

 

Pois ser mãe é divino em qualquer idade...

 

 texto publicado também no clube mammy

crónica da Mamã Gansa às 13:01

Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

Publicado no meu blog original.

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