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Crónicas de uma mãe atrapalhada (2ªParte)

Um dia escrevi sobre as aventuras e desventuras das delícias da maternidade e do milagre da vida! Este é a continuação dessas aventuras com um menino especial e as suas peripécias.

Crónicas de uma mãe atrapalhada (2ªParte)

Um dia escrevi sobre as aventuras e desventuras das delícias da maternidade e do milagre da vida! Este é a continuação dessas aventuras com um menino especial e as suas peripécias.

Odeio Mães perfeitas!!!!!!

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Aviso de desde já que este não é um post politicamente correto.

 

 Odeio mãe perfeitas. Aquelas que nunca falham, que têm sempre tudo pronto e a horas. Que são esposas perfeitas com as refeições sempre e a horas.  As que têm sempre a roupa impecavelmente engomada e casa imaculada 

Odeio mães perfeitas com casas onde nunca há brinquedos espalhados pelo chão.

  Odeio mães perfeitas com filhos perfeitos que não partem um prato e que não podem brincar na rua, nem apanhar sol, porque se podem magoar e porque o sol faz mal. Odeio mães perfeitas que acham que os filhos têm de ser o preenchimento das lacunas que nunca conseguiram preencher.

 Odeio mães perfeitas que nunca têm nódoas do bolsado dos bebés e saem sempre com o cabelo e as unhas perfeitas e conseguem correr de saltos atrás dos filhos, até porque estes são tão perfeitos que nunca saem de perto das suas mães.

Odeio mães perfeitas que conseguem logo recuperar a linha após os partos com os seus personal trainers   ou genéticas perfeitas e hábitos perfeitos que fazem com que as mães comuns se sintam culpadas por não o conseguirem fazer.

 

Odeio mães perfeitas que acham que os filhos têm de saber o alfabeto aos dois anos de idade e odeiam a vizinha do lado porque a filha de dois anos dela fala como se tivesse quatro e odeiam a colega de trabalho porque acham uma incompetente porque o filho de três ano ainda não fala e não sabe porquê.

Odeio mães perfeitas que nunca se deitam no chão nem rebolam na relva ou na areia a brincar com os filhos porque as mães não fazem isso.

 Odeio mães perfeitas que só compram brinquedos silenciosos aos filhos.

Odeio mães perfeitas que são mais perfeitas educadoras do mundo e têm filhos perfeitos (frustrados, castrados, mas socialmente perfeitos) que nunca fazem, birras, que nunca fogem e que sempre respeitaram tudo e mais umas botas.  E que são os melhores clientes de psicólogos e psiquiatras.

 

Odeio mães perfeitas que se gabam de ser mães perfeitas e odeio a mãe perfeita do Ruca que personifica as mães perfeitas. A mãe perfeita, com o marido perfeito e os avós perfeitos.   Sempre com uma calma invejável como se todos os dias tivesse dopada com uma embalagem inteira de Prozac e sempre com a resposta perfeita no momento exato. Sem nunca tee dúvidas e sem nunca ter nenhum problema em resolver todos os problemas do filho.  Questiono (porque os desenhos não o mostram) se sexo entre os pais do Ruca também será perfeito e a mãe do Ruca terá orgasmos perfeitos?

 

Odeio mães perfeitas com respostas perfeitas para tudo retiradas dos manuais de mães que ensinam as crianças podem não vir com manuais de instruções, mas que uns génios donos de todas as verdades e certezas os escreveram e que as crianças devem ser todas tratadas de forma igual-

Odeio mães perfeitas que nunca passaram pelo susto dos filhos lhe fugirem e por alguns minutos passarem o maior susto das suas vidas.

Odeio mães perfeitas que se acham melhores que as outras mães.

 

Mas acima de tudo, odeio todos os cânones sociais que fazem as mães sentirem o peso de serem perfeitas e de não falharem em nada.

 

Sejamos apenas mães, sem termos que ser perfeitas, sem medo errar uma ou duas vezes porque com os erros também se aprende. Sejamos solidárias umas com as outras e sejamos as melhores mães que sabemos ser. E em vez de invejarmos a mãe com a criança precoce admiremos a criança, mas admiremos o que de bom têm os nossos filhos   e em vez de julgarmos a mãe com a criança com problemas de comportamentos tentemos entender o que ela enfrenta.

 

Lamento se feri a suscetibilidade de alguém mas odeio mães perfeitas, prefiro as mães imperfeitas, inseguras e atrapalhadas com eu, mas humanas e movidas pelo amor e não pela perfeição.

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