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Crónicas de uma mãe atrapalhada 2: o nosso anjo azul

Um dia escrevi sobre as aventuras e desventuras das delícias da maternidade e do milagre da vida! Este é a continuação dessas aventuras com um menino especial com autismo e um raro síndrome de deleção 18P

Crónicas de uma mãe atrapalhada 2: o nosso anjo azul

Um dia escrevi sobre as aventuras e desventuras das delícias da maternidade e do milagre da vida! Este é a continuação dessas aventuras com um menino especial com autismo e um raro síndrome de deleção 18P

Não seu ignorante, o problema do meu filho não se resolve com umas palmadinhas!!!!!

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Quando íamos a sair das consultas no Hospital, O Gonçalo ou porque tivesse fome, ou porque tivesse sede teve mais umas das suas crises e deitou-se no chão e fez uma birra e a senhora que estava contigo que suponho seja a tua esposa, meteu-se, pedimos para se afastar. Quando finalmente conseguimos levantar o miúdo a tua sabedoria de quem é melhor que o outro brotou dessa sapiência toda que deve ser a inutilidade do teu cérebro:

-Isso resolvia-se com umas palmadinhas!!!!!

A tua sorte velho inútil e ignorante foi ter sido o meu marido a ouvir as tuas palavras e não eu. Porque ele andou e reclamou e tu já nem o deves ter ouvido, mas eu tinha parado e tinha dito umas quantas verdades poucas e boas na tua cara ali no Hospital.

 Mas como eu não ouvi e o meu marido só muito depois me disse quem eras e o que tu tinhas dito, fui privada do prazer de te dirigir estas palavras pessoalmente.

Que bom que tens a cura para o meu filho!!!!! Eu tinha voltado atrás. Afinal eu fui ao Hospital com o miúdo e como nem a médica me pode resolver o problema, tu tens a solução mágica:

Umas palmadinhas. Oh pá. E eu aqui a ler artigos e a procurar evolução da ciência e técnicas para ajudar o meu filho quando o senhor tinha uma solução que nunca me passou pela cabeça!!!! Que pena não ter ouvido. Acho que tinha gritado:

 -Milagre! Aleluia! Este senhor encontrou a cura para o Autismo: Umas palmadinhas!!!!

Acho mesmo que até podia ser indicado para o prémio Nobel da Medicina!!!!

 

A minha mãe ensinou-me a respeitar os mais velhos, mas também em ensinou a não me meter na vida dos outros. Mas tu não me mereces respeito nenhum. Não sei porque motivo estavas no Hospital, provavelmente não tens mais nada para fazer na vida. Deves ser daqueles velhos que enchem os centros de saúde e as farmácias com mil e uma doenças e que afinal só querem atenção, tirando lugar aos que realmente têm alguma coisa.

Mas eu estava lá com o meu filho porque o meu filho tem autismo. Ou seja, porque tem um transtorno neurológico que lhe provoca alterações de comportamento em alguns ambientes ou quando se sente frustrado e não tem nada na cara que te indique o problema dele. E tu não tens que saber, mas também não tens que te meter onde não és chamado.

 O Autismo não tem cura, mas com acompanhamento os autistas podem evoluir e alguns deles chegam a ser geniais.

  E até digo que tenho outra filha uma miúda inteligente, fantástica, genial, bem resolvida com a vida, a quem nunca lha faltou umas palmadinhas pedagógicas na hora certa.  Mas que foram sempre mais os avisos que as palmadas efetivamente.

Mas já agora que resolves os meus problemas, podes pagar-lhe todas as terapias que ele precisa, porque ele só tem, as que posso pagar. Até porque tive de escolher entre tratar os meus dentes e pagar-lhe as terapias.  Também lhe podes pagar a roupa, que lhe está a ficar pequena e que lhe tenho de renovar o guarda roupa de quatro em quatro meses e ele tem sete anos e aproveitas pagas da outra também. Ah e não te esqueças os meus filhos são crianças ativas e comem muito bem por isso também os podes alimentar.

 Porque afinal nós somos uns pais que não sabemos educar o filho.   Tu velho ranhoso e baboso (tenho todo o respeito pela terceira idade, mas por ti não!) é que sabes com umas palmadinhas.  Com jeitinho também és daqueles que trata a mulher com umas palmadinhas, não é’????

Talvez tu precises de umas palmadinhas para aprenderes a não te meteres na vida dos outros. Mas o meu filho, só precisa de muito amor, compreensão aceitação e principalmente que tu e aqueles que como tu, no café, no supermercado, no cinema, nas lojas, e até no Hospital acham que são melhores pais que eu, metam o nariz na sua vidinha e nos deixem em paz.

 O que o meu filho precisa é que haja uma maior preocupação dos profissionais de saúde portugueses com a informação e sensibilização da sociedade para o autismo. Não basta estarmos todos de Azul no dia 2 de Abril e depois fica esquecido.

 

 E já agora fica o aviso, da próxima vez talvez eu tenha a oportunidade de te dirigir umas palavras simpáticas e cordiais como estas:

-Tens uma coisa em comum com o meu filho como vês o Autismo não tem cura e a tua estupidez infelizmente também não!!!!! 

Mas ao contrário de ti, o meu filho pode evoluir e nunca se sabe as surpresas que o futuro reserva

 

oto tirada pelo Gonçalo.

2 Grasnados

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    Mamã Gansa 08.03.2019

    Olá MJ entendo as tuas palavras, mas quis fazer entender o meu lado. Um: porque é que as pessoas julgam quando não sabem??? Exatamente alertar as pessoas para quando lançam esse tipo de "bitaites" na vida dos outros que se calhar perderam uma boa oportuniades de estarem caladas. 2- Eu estava num Hospital, portanto o senhor antes de abrir a boca devia ter pensado se havia algum problema com a criança para estar a agir daquela forma. 3- Se for com posts ditos politicamente corretos não chego a ninguém infelizmente. 4- o tom de revolta deste post que foi partilhado minha página do Face trouxe-me vários testemunhos de pessoas que se setiram vítimas destes donos da sabedoria. 5- Exatamente, se não sabe o que se passa, fica calado não se mete na vida dos outros. Como digo no post fui educada para não o fazer. 6- Eu não tenho a paciência de santo do pai da menina da situação que descreveste. 7- Considereo que as pessoas quando têm esse tipo de atitude também estão a ser insultuosas para connosco pais. 8- O autismo não se vê no rosto, ao fim de uns tempo e se estiveres habituada a lidar com eles, passados uns minutos apercebes-te. Mas noutros confunde-se sim com uma criança sem regras e sem limites, mas isso não o direito às pessoas de se meterem na vida dos outros. 10- Felizmente o meu filho tem evoluido imenso por eus air com ele e expô-lo a situações comuns a outras crianças, por isso o tom de revolta alerta as pessoas que podem estar a ser más e injustas quando se metem na vida dos outros. Por fim devia ser o próprio Hospital a fazer a sensibilização para esse tipo de situações e se às vezes me irrito, mas depois passa, aqui não. Eu estava num Hospital por algum motivo- o meu filho podia ter mil e um motivos para aquela reação. As "birras" nos autistas são sobrecargas sensoriais por nãos e conseguirem expressar, além de que ficam com uma força brutal. Uma mãe descreveu-me uma situação em que a filha tinha sofrido uma intervenção na vista à saída da sala nos corredores do Hospital teve um ataque de pânico, uma auxiliar ou enfermeira em vez de ajudar ou apoiar também recomendou umas palmadinhas... Haja paciência. Quando é que aprendemos a ser humanos? Percebo o teu ponto de vista de eu me pôr no lugar do outro. Mas eu quero que o outro se ponha no meu lugar. Para terminar as tuas palavras mostram como és uma pessoa bonita, precisamos de mais pessoas assim. Beijinhos
  • Grasnar:

    CorretorMais

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