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Crónicas de uma mãe atrapalhada 2: o nosso anjo azul

Um dia escrevi sobre as aventuras e desventuras das delícias da maternidade e do milagre da vida! Este é a continuação dessas aventuras com um menino especial com autismo e um raro síndrome de deleção 18P

Crónicas de uma mãe atrapalhada 2: o nosso anjo azul

Um dia escrevi sobre as aventuras e desventuras das delícias da maternidade e do milagre da vida! Este é a continuação dessas aventuras com um menino especial com autismo e um raro síndrome de deleção 18P

Esta gente agora ofende-se com tudo

Não,não é bem assim.

A infeliz normalização de certos termos faz com que a sociedade não se aperceba da gravidade dos mesmos. Por vezes sem maldade usamos certos termos, mas quando alguém nos explica que esses termos ferem e magoam ditos de determinada forma é altura de nos corrigirmos.

Vou aqui substituir a expressão “Este Governo não é autista “por outras e atenção que desde já revelo que é por respeitar essas causas que o consideraria igualmente desrespeitoso.

“Este Governo não é cigano”

“Este governo não é surdo”

“Este governo não é paralítico”

“Este governo não é negro”

“Este governo não é míope”

“Este governo não é cego”

“Este governo não é canceroso”

“Este governo não é diabético”

“Este governo não é epilético”

Estas expressões já seriam ofensivas???? Ou ainda acham que é normal proferir este tipo de frases? Na minha opinião todas seria ofensiva.

  O facto é que se aqui se tivesse publicado uma petição para essa causa, com certeza a visibilidade da mesma seria diferente. Já muitos artistas teriam vindo às redes sociais mostrar a indignação, os jornais estariam a pegar fogo, mas a Ministra dizer:

“O Governo não é autista”

Não, isso não revolta ninguém. Afinal isso é só uma metáfora. Pois uma metáfora que propaga um estigma errado e perigoso. Um estigma que é um rastilho de bullying nas escolas. Ah, mas aí não tem problema afinal a culpa é das escolas e dos professores que não fizeram nada. (pois os professores são sempre os culpados de tudo…)

Até agora tirando dois artigos de pessoas no Público, pertencentes à comunidade, o silêncio em volta disto tem sido inquietante. À exceção deste artigo do Expresso ainda não vi nenhuma manifestação de solidariedade expressiva nas redes sociais e na comunicação social.

 

Até porque não morreu ninguém. Têm a certeza? Sabiam que a taxa de suicídio entre jovens autistas é bastante alta? Sabiam que o Bullying está na origem disso?

 

 Errar é humano e eu não sou exceção. Mas tento corrigir-me e admitir os meus erros e antes dizer algo que seja ofensivo tento informar-me junto das pessoas e quando peço desculpas assumo o erro não digo que os outros me interpretaram mal e se achar que me interpretaram mal, tento explicar de forma que não ofenda.

Aliás um dia estava a escrever uma frase e sem pensar escrevi “é porque és cego ou surdo”, mas refiz a frase, pois achei que não era correta e que era ofensiva.  Mas já o faço há muito tempo, pois sempre testemunhei a luta de quem assim nasceu, e escrever isso seria perpetuar um estigma errado de que quem é cego ou surdo não seria válido para a nossa sociedade.

 

Sim a senhora pediu desculpa, mas nestes termos:

"Escusado será dizer que foi um erro que gostaria de não ter cometido. Peço lhe desculpas por a ter involuntariamente magoado e, se lhe for possível, que as torne extensivas a quem consigo possa ter interpretado as minhas palavras da mesma forma.”

Ora, apresentou um pedido de desculpas a uma pessoa em particular e em forma de recado põe a culpa das suas palavras na interpretação das pessoas e não no que ela disse. Não se trata de uma questão de interpretação, mas sim do uso impróprio da palavra Autismo perpetuando o estigma e o preconceito que por sua vez levam muitas vezes à discriminação e ao Bullying.

E eu só vou parar quando a sociedade entender isto.

4 Grasnados

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