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Crónicas de uma mãe atrapalhada 2: o nosso anjo azul

Um dia escrevi sobre as aventuras e desventuras das delícias da maternidade e do milagre da vida! Este é a continuação dessas aventuras com um menino especial com autismo e um raro síndrome de deleção 18P

Crónicas de uma mãe atrapalhada 2: o nosso anjo azul

Um dia escrevi sobre as aventuras e desventuras das delícias da maternidade e do milagre da vida! Este é a continuação dessas aventuras com um menino especial com autismo e um raro síndrome de deleção 18P

A MINISTRA DA SAÚDE, AS TRAÇAS E AS LÂMPADAS..

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Sobre este assunto ´será o último artigo que escrevo, mas não pensem que vou desistir.

No entanto faz-me confusão ter mais de 500 gostos na Carta que escrevi à Ministra da Saúde, mas pouco mais de duas centenas de assinaturas numa petição que exige o devido respeito de uma figura de Estado.

 Estou a confirmar a infeliz noção que tinha que as pessoas nas redes sociais o que gostam mesmo é de sangue. Agir em causa própria isso não. Afinal reclamar através da Tela é uma coisa. Gritar nas filas do centro de saúde também fica bem no figurino e   faz muito barulho, mas dar a cara, assinar uma petição, um livro de reclamações, fazer valer os direitos não isso já não.

 A Ministra da saúde quis sair-se airosamente de uma situação indigna e nada como usar os meios de comunicação da forma mais súbtil  possível; mandou um pedido de desculpas pessoas a autora de um artigo do Público porque era autista e já agora porque vivemos num cantinho à beira mar plantado qual aldeola, em que nos conhecemos todos pediu o favor à moça de já agora  “peça aí desculpa a quem interpretou as minhas palavras dessa forma”. A pessoa aceitou as desculpas, o recado e a promessa de uma reunião para melhorar o paradigma nacional do autismo Português.

Acontece é que eu não gosto de recados, porque os meus pais com todos os defeitos que eventualmente possam ter porque ninguém é perfeito, ensinaram-me que quando ofendo alguém peço desculpa à pessoa em causa, não mando recados.

 Entendo que aceite as desculpas que lhe foram pedidas pessoalmente, o que não entendo é que não entenda quem não aceite pedidos de desculpas em forma de recado imputados à interpretação.

  Depois nada disto é ofensivo até porque dá uns títulos de jornal giros como podem ver aqui e aqui.

Ah e tal, mas isso é de2007e de 2010, mas parece bem atual. Afinal num país onde os animais têm mais direitos que as crianças e que as pessoas com deficiência nada me admira.

Atenção que nada tenho contra os animais, mas fez-me confusão que na freguesia onde resido um projeto para animais tenha tido mais votos que um projeto para melhorar as condições de vida das pessoas com deficiência.

A seguir a Ministra que até há bem pouco tempo usava a palavra autismo como adjetivo acenou depois do recado com a promessa de uma reunião e pronto aqui estão as pessoas iludidas por uma reunião prometida a uma pessoa, por causa de um artigo no jornal.  Continuo a insistir que as desculpas deviam ser à comunidade e não a quem interpretou. Mais uma vez insisto e persisto que o erro é de quem fala e não de quem interpreta.

E de repente ah e tal ela até já pediu desculpas, errar é humano. Pois para mim e para mais alguns não pediu e depois é engraçado como as pessoas esperam que uma reunião milagrosamente lhes resolva tudo o que não resolveu até agora quando a Ministra não lhes demonstrou o mínimo respeito, nem ter a mínima noção do que é o Autismo.

 A promessa da reunião só me faz lembrar as traças atraídas pela luz que queimam as asas nas lâmpadas ou morrem.

É tão fácil calar gente carente e necessitada de atenção. Lança-se um decreto com a palavra Inclusão lá dentro, sem se dar tempo para os profissionais se formarem e informarem e  nem lhes  dão os meios materiais e humanos para  o fazerem devidamente e  somos todos muito inclusivos, mas a  realidade não é essa.

Por isso está tudo caladinho à espera da miraculosa reunião, que com o panorama do COVID 19 sabe -se lá quando vai acontecer. No entanto uma coisa eu aprendi na vida quando não nos fazemos respeitar as pessoas ignoram as nossas necessidades.

 

Eu lamento senhora Ministra ainda não ter tido resposta para publicar num jornal, porque continuo a aguardar um pedido de desculpas em condições, eu ainda não sei se sou autista mas o meu filho é e merece o respeito que ainda não lhe deu, mas não se preocupe senhora Ministra eu vou entrar na onda dos Recadinhos e enviar um documento  com todas as medidas que eu entendo necessárias, mas para já sugeri formação em linguagem inclusiva para Ministros.

E já  agora, se alguém se ofendeu com este texto as minhas desculpas antecipadas a quem me possa ter interpretado mal.

1 Grasnado

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