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Crónicas de uma mãe atrapalhada (2ªParte)

Um dia escrevi sobre as aventuras e desventuras das delícias da maternidade e do milagre da vida! Este é a continuação dessas aventuras com um menino especial e as suas peripécias.

Crónicas de uma mãe atrapalhada (2ªParte)

Um dia escrevi sobre as aventuras e desventuras das delícias da maternidade e do milagre da vida! Este é a continuação dessas aventuras com um menino especial e as suas peripécias.

A CONSULTA DE OFTALMOLOGIA

 

Hoje fomos à consulta de Oftalmologia e como é que correu?

Correu muito mal.

Primeiro o Exmo. senhor Gonçalo não queria sair de casa, pelo que acabámos por chegar atrasados. A consulta era no Hospital dos Lusíadas. Quando fiz a marcação via telefone tinha pedido expressamente para estar indicado que a o Gonçalo era um menino com TEA. Ora não havia indicação nenhuma. Também tinha marcado para a Bárbara que estava dentro do

Horário e foi logo atendida.  Do Gonçalo tive que esperar que a Doutora autorizasse a consulta.

Após ser concedida a autorização aguardámos pouco tempo e foi chamado á Triagem. Voltei a explicar o que se passava com o Gonçalo. O Técnico que fez a Triagem era um jovem muito simpático e atencioso com o Gonçalo, mas a o fim de quatro tentativas tivemos de desistir.

 

 O Gonçalo queria fica ali a brincar com a máquina, pelo que, quando o contrariei se deitou no chão, ( o que me irrita profundamente) , respirei fundo e fiz-lhe um ataque de cócegas, aproveitando a distração para o levantar e rebocar até á porta do Gabinete da doutora onde  estava a irmã. Depois da irmã sair, a doutora ainda atendeu outro menino que tinha chamado porque nos atrasamos.  A irmã felizmente tem uma ótima visão e não precisa de nada.

 

Passado algum tempo, fomos chamados. A Dr.ª Bárbara Borges foi muito simpática e atenciosa. O Gonçalo correu logo para a cadeira alta, eu ia dizer-lhe para ele sair da cadeira, mas a doutora disse-me para o deixar estar.

 

De seguida, conseguimos que pusesse os óculos de teste.  As letras estavam fora de questão por isso a doutora passou imagens para ele dizer. A primeira era o desenho de um carro. Perguntou-lhe se ele sabia o que era e ele respondeu um som que se aproximava de “automóvel” mas “aespanholado”  Depois passou o desenho de uma mão. Mas o Gonçalo já não queria ter os óculos. E não tem mais nada, nem vai de modas toca a ir direitinho até ao ecrã e pôr a sua mão em cima da do desenho ( curiosamente encaixava na perfeição em tamanho e largura). Ainda tentámos mais duas vezes, mas tivemos de desistir.  Chamei o pai para me ajudar, mas nem com a ajuda dele, conseguimos que ele parasse quieto e colaborasse.

 

A Dr.a disse que ele era demasiado ativo para ter problemas de visão , mas optou por lhe receitar umas gotas destinadas a dilatarem a pupila, para lhe por três dias antes da próxima consulta.

Fui fazer os pagamentos. Enquanto   me registavam as faturas eu contava ao pai, o “ataque” irresistível  que o Gonçalo teve para ir pôr a mão no desenho da  mão no ecrã dizendo-lhe que devia ter visto algo semelhante nos desenhos animados como se fosse um portal mágico, e conforme digo, isso tenho um ataque de riso, que confesso me custou a controlar. É para o que me dá quando isto corre para o torto.

Depois fomos para o elevador e entraram dois Homens. O Gonçalo que não parava quieto, deu-lhe para saltar apesar dos nossos esforços bem visíveis para o parar. Independentemente da problemática do Gonçalo é acima de tudo uma criança e não a única que faz isso, porque já vi muitas fazê-lo.

O Homem de aspeto mais velho vira-se para mim com cara de enjoado e como achasse que lhe devia alguma coisa num tom arrogante diz-me:

- Isto assim não pode ser. O elevador não consegue.

Hesito uns segundos antes de sair que tinha chegado ao meu piso e respondo-lhe:

- Tome uma aguinha com gás que isso passa-lhe. Pessoalmente não gosto, mas ouvi dizer que ajuda ao enjoo. - E saio sem esperar pela resposta.

 

Isto com o Gonçalo pelo menos, nunca há monotonia….

 

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