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Crónicas de uma mãe atrapalhada 2: o nosso anjo azul

Um dia escrevi sobre as aventuras e desventuras das delícias da maternidade e do milagre da vida! Este é a continuação dessas aventuras com um menino especial com autismo e um raro síndrome de deleção 18P

Crónicas de uma mãe atrapalhada 2: o nosso anjo azul

Um dia escrevi sobre as aventuras e desventuras das delícias da maternidade e do milagre da vida! Este é a continuação dessas aventuras com um menino especial com autismo e um raro síndrome de deleção 18P

Meu pequeno sábio

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O Face recordou-me esta foto. Eras tão pequenino, mas sempre atento e curioso sobre o mundo que te rodeava. Tu tentavas entender o mundo, mas o mundo filho nunca tentou entender-te.
Eu só queria ter-te debaixo da minha asa e proteger-te da crueldade do mundo .O mundo é a vida ainda logo no início foram cruéis contigo, mas tu não te detiveste escolheste a vida e o mundo com um sorriso e puxaste-me pela mão. Não me deixaste recolher e isolar na minha Ilha repleta de magia onde éramos só os dois tão felizes e essa felicidade te protegia.
Mas depois percebi que seríamos náufragos numa Ilha e se assim fosse nunca irias entender o mundo e ele nunca se esforçaram por te entender. Foi quando enxugue as lágrimas que me pediam que os meus braços fossem como os da videira que se estende por longos caminhos, e te libertem as asas para que pudesses voar.
Amo-te filho.
Gonçalo com 22 meses

DO PRIMEIRO ANO AO NOVO ANO ESCOLAR DO GONÇALO.

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Eu prometi que contava do dia de ontem e acabei por me inspirar numa pequena

viagem ao passado fazem-na comigo?

DO PRIMEIRO ANO AO NOVO ANO ESCOLAR DO GONÇALO.

 

Para a maioria das mães a entrada no primeiro ciclo é uma etapa esperada com um misto de expetativa e ansiedade. Foi assim para mim quando a minha Bárbara entrou no 1º ciclo e foi aindacom maior ansiedade e expetativa quando o Gonçalo entrou. Honestamente eu não queria que ele avançasse naquele ano , queria ter pedido adiamento, mas a Psicóloga e a Pediatra do desenvolvimento na época foram da opinião que seria o melhor para ele. Eu não posso estar mais grata por todo o trabalho , carinho e empenho que tiveram com o meu filho. A evolução do Gonçalo em três meses foi tão notória que todos me perguntavam o que eu lhe tinha feito. A resposta era simples” mudei-o de escola.”

O primeiro ano decorreu lindamente apesar de na receção o Gonçalo esta a dormir porque essa noite tinha tido o sono desregulado. Mas como uma vez me disseram “ maus principios, bons fins”.

O Gonçalo foi bem recebido e integrado na turma e aceite pelos seus pares e respetivos pais. Mas no segundo ano surgiu a pandemia. Por um lado foi positivo, porque esse ano eu já estava em casa por motivos de saúde e pude acompanhar muito o Gonçalo inclusive nas aulas online e as professoras de educação especial até me elogiaram dizendo que o Gonçalo foi um caso de sucesso por não regredir.

Contudo a partir do terceiro ano por medidas Covid o Gonçalo deixou de frequentar a sala. Era suposto ir subindo gradualmente o tempo em sala. Porém o ano passado isso não aconteceu e este ano como não há pessoal volta a acontecer e o que me deixa também triste e de coração partido é nunca ter sido dada oportunidade ao Gonçalo que aprendeu a falar inglês sozinho aos cinco anos, de frequentar a Aec de Inglês. De resto ele é feliz na escola e as professoras puxam por ele.

No entanto tenho pena de não ter dinheiro para dar mais terapias ao meu filho pois sei que tem potencial para evoluir muito mais. O Gonçalo entrou no quarto ano e eu tenho o coração muito apertadinho. Mas ele foi e voltou feliz por estar na escola e orgulhoso da sua mochila fez pose enquanto eu o fotografava e ter um filho feliz para mim é muito bom. Queria tanto que o mundo o recebesse como ele recebe tudo na vida de braços abertos.

 

 

NÃO ME CHAMES MÃE GUERREIRA

Não me desumanizes.!!!!!

Cópia de Cópia de Post de Instagram com Citaçã

Não me chames Mãe Guerreira, Não me desumanizes.

Sei que essa não é a intenção, mas a verdade é que por baixo do “elogio” da mãe guerreira está um desumanizar da minha maternidade.

Não me chames mãe guerreira só porque eu tenho um filho que requer cuidados especiais.

Sou uma mãe como tu e não tenho mais força que, tu tenho sim é mais cansaço.

Eu não sou uma mãe guerreira, eu não sou uma mãe cansada, eu sou uma mãe muito cansada.

O propagar do mito da mãe guerreira quando se assume que um filho tem problemas, dá

a ideia falsa que temos forças sobrenaturais que não temos. Somos somente humanas.

Se propagas que “uma mãe cansada, não está cansada de ser mãe”,porque não me dás esse direito a mim?

Não sou mãe guerreira, sou uma mãe humana e cansada como tu.

Sabes, a vida pode mudar num minuto.

Diz-me: se de hoje para amanhã por motivos de saúde, ou motivos de acidente, o teu filho, a tua filha, o teu marido, namorado, a tua mulher, namorada,sofrer um revés na vida e ficar com uma deficiência, vais abandoná-lo?

Ou vais fazer uso de todo o teu amor e apoio e continuar?

E se acontecer ao teu filho , à tua filha, não gostarias que o continuasse a tratar como uma criança ou jovem como todos os outros?

Ou também és das pessoas que acreditam que acontece só aos outros???

Olha que não acontece só aos outros, desejo com toda a sinceridade que não te aconteça.

Mas lembra-te se um a dia vida te der um revés e mudar num minuto, conta comigo para te acolher.

Acredita, eu sei que quando me chamas mãe guerreira estás a querer mostrar admiração, mas desumaniza-me.

Não me desumanizes eu não sou uma mãe de um mundo ao qual não pertences.

Estás a segregar-me do mundo da maternidade. Entendes?


Por isso lembra-te eu não sou mãe guerreira, sou mãe uma mãe cansada como tu, talvez só um pouco mais que tu,.  Se leste até ao fim .Obrigada.

 

A Literalidade no autismo.

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A Literalidade no autismo. A grande maioria das pessoas com autismo leva a letra aquilo se diz, daí que para comunicar devemos ser diretos e objetivos.O que o Gonçalo está a fazer podiam ser flaps uma das estereótipos que eles faz quando está feliz ou ansioso, mas não são.Na realidade aqui a mãe distraía-se e disse-lhe:" Olha o passarinho" por brincadeira e a reação dele foi esta , acompanhada de um sonoro piu piu.😊

Brincadeiras e mimos

 

 

 

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Sempre que Gonçalo come esparguete adora fazer esta brincadeira e a mãe alinha😊😀. O mais giro é que , que eu tenha conhecimento ele nunca viu o filme da "Dama e o vagabundo" que a tornou famosa. E escusam de vir aqui os moralistas de plantão dizer que isto não se deve fazer blá blá blá. O Gonçalo sabe perfeitamente que é só com a mamã que tem esta brincadeira .E ele fica feliz.

Até sempre Avó Nita

Viverás para sempre nos nossos corações

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Eu nunca tive sogro. Para compensar, como dizia na brincadeira tive duas sogras. Como tudo na minha vida tinha de ser diferente. Quando conheci aquele que é o meu melhor amigo e o excelente pai dos meus filhos, infelizmente o seu pai já tinha falecido. A minha sogra não era mulher fácil, mas era boa pessoa de coração. Nem sempre tínhamos a melhor relação do mundo mas isso não implica que eu não gostasse dela. Iria mentir se dissesse que era tudo um mar de rosas, porque não era, mas também tive muitos momentos bons com ela.

 

Dona Amélia, não tinha só nome de rainha, como era altiva como uma. Era uma mulher baixinha e franzina, com pés muito pequeninos calçava o trinta e quatro. Mas era gigante na sua força de vontade e coragem. E eu tinha uma grande admiração por ela. Talvez por isso como diz o meu marido chocássemos muito porque éramos ambas muito senhoras do nosso nariz.

 

Após o falecimento do seu marido, o sogro que nunca conheci, mas que ouço e ouvi muitos histórias dele que me fizeram sorrir e achar que também era um ser humano de bom coração, como ia a dizer, após o seu falecimento, a irmã da minha sogra, a irmã dela solteira, que ajudara na criação do meu marido foi viver com ela.

 

A nossa “Ti” Nita (diminutivo de Mariana) e depois do nascimento da Bá, a “Vó” Nita como os meus filhos carinhosamente sempre a trataram foi a minha segunda sogra. A “Vó” Nita era também uma mulher baixinha e franzina com as costas já curvadas pelo peso da vida. Dizia que tinha bom feitio, mas quando teimava com uma coisa ninguém a demovia nem para o bem nem para o mal. Tinha os olhos verdes mais bonitos que conheci na vida e era uma das almas mais bondosas e puras que conheci na vida.

 

Infelizmente isso funcionava para o bem e para o mal , pois nunca via maldade em ninguém e para ela todas as pessoas eram boas. Tinha muito talento para fazer versos, a Bárbara ganhou muitos, infelizmente o Gonçalo já não. Pois já estava numa outra fase da vida. Eram ambas pessoas de outra geração que as fazia ter uma força e uma fé que confesso não sei se alguma vez terei. As primeiras reações aos problemas do Gonçalo não foram das melhores, nem das mais bonitas, mas depois de viver connosco aos poucos apercebeu-se de quem o Gonçalo era realmente e dizia-me que ele era muito inteligente e meiguinho.

 

Tinha uma grande adoração pela sua Bárbara e tratou-me por sobrinha desde o primeiro dia que a conheci. Na época tinha o cabelo pintado de ruivo que contrastava lindamente com os seus bonitos olhos verdes. Confesso que tenho pena que nenhum dos meus filhos tinha saído com os olhos verdes como ela. Quando veio viver connosco era para ser temporário enquanto aguardava a entrada num lar, pois para nós era complicado e ela própria não se importava pois teria mais gente, mas surgiu a Pandemia e ficámos de mãos atadas.

 

Fizemos o nosso melhor, nem sempre era fácil e os últimos dias foram muitos difíceis o Gonçalo tinha torcido o pé e andávamos muito sobrecarregados, talvez por isso não nos tivéssemos apercebido a tempo que ela estava mais doente do que nos dizia. Já estava numa fase que confundia a realidade com os sonhos e por vezes era difícil fazê-la acreditar, que algumas coisas não eram reais, por vezes gritava e se lhe perguntássemos porquê, dizia que não era nada. Não era simples , não era fácil, mas tirando isso era meiga e divertida. Às vezes ia-lhe fazer companhia, e punha-me a imitar as bailarinas do programa da tarde e ela desatava-se a rir. Às vezes pegávamos-nos as duas , porque por vezes eu andava zangada com Deus, principalmente depois do meu marido sofrer a trombose e ela tinha uma fé inabalável.

E quando a perdi, perdi a minha segunda sogra e por incrível que pareça, e que quem me lê e conhece me possa não acreditar, sinto-lhes a falta e principalmente a minha filha que perdeu as avós com quem cresceu e ficou uma sensação de vazio por preencher.

Quem me dera voltar a tê-las entre nós mesmo que nem tudo fosse rosas.

 

Até sempre “Vó” Nita ficam as memórias, o cheiro da Canja, o sabor do Pão de Ló, os teus versos e tantas outras coisas bonitas que partilhámos. Perdoa-me se nem sempre tive a paciência que devia, às vezes a vida pedia mais do que eu podia dar. Estarás sempre entre nós. Viverás para sempre no nossos corações.