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Crónicas de uma mãe atrapalhada 2: o nosso anjo azul

Um dia escrevi sobre as aventuras e desventuras das delícias da maternidade e do milagre da vida! Este é a continuação dessas aventuras com um menino especial com autismo e um raro síndrome de deleção 18P

Crónicas de uma mãe atrapalhada 2: o nosso anjo azul

Um dia escrevi sobre as aventuras e desventuras das delícias da maternidade e do milagre da vida! Este é a continuação dessas aventuras com um menino especial com autismo e um raro síndrome de deleção 18P

O Concerto de uns e o desconcerto de outros

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A  Bá com seis aninhos a fazer festas a uma Cenoura do mar. O próprio Aquário convidava os utentes  a acariciar o bichinho. E pssst o Gonçalo está na Barriga ( 3mesinhos)

 

 Hesitei muito antes de escrever isto. Não quero que as pessoas cheguem aqui e digam que este blog agora parece o muro das lamentações. Mas nem só de sucessos e progressos é feita a nossa vida. Também de limitações.

 

   Quando a Bá era pequena, até o Gonçalo estar na minha barriga e mesmo enquanto era bebé, era usual irmos visitar um museu todos os fins de semana.

Entretanto o Gonçalo nasceu e os problemas dele revelaram-se e numa determinada fase agudizaram-se. Depois tivemos de desistir porque o Gonçalo ficava muito inquieto e tinha crises. As últimas visitas a que fomos com ele foi ao Oceanário e ao Aquário Vasco da Gama.

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Gonçalo e Bá no Oceanário.

 No outro dia contive as lágrimas quando um aluno me dizia que adorava História porque os pais o levavam ao museu todos os fins de semana. Dei os Parabéns e disse que fazia o mesmo com a minha filha antes dos problemas do meu filho.

 

Entretanto o Gonçalo estava a evoluir a nível de comportamento e eu começávamos a pensar em levá-lo a museus, mas …. chegou a Pandemia e com ela mais limitações a quem já as tinha

 E hoje senti-me a pior mãe do mundo porque a minha filha foi ao seu primeiro Concerto de música Clássica com o pai e eu fiquei com o Gonçalo em casa. E eu devia estar feliz por ela, mas não consigo. Não consegui porque noutras circunstâncias teríamos ido os quatro.

 Mas por enquanto um programa destes é impossível ser a quatro.

Espero um dia escrever aqui o dia em que um programa desses se tornou realidade para

todos nós os quatro, pois acredito no meu filho e na sua capacidade de evolução.

Texto escrito Domingo dia 27 de Setembro.

 Hoje acrescento que, no entanto quando regressaram, o ar de felicidade da minha filha era tal, que não consegui deixar de estar feliz por ela.

Um dia será o dia dele realizar um sonho dele. Já o vi fazer tanta coisa que duvidei que fosse possível que hoje apenas acredito que se acreditar nele um mundo de possibilidades se abrirá à sua frente!

Hoje é o meu dia

Um brinde à vida!

Dizem que são 52, mas não é assim que me sinto. Sinto-me como se fossem 25.

Quando somos crianças imaginamos o nosso futuro. O que eu imaginava era se o mundo seria tão avançado como na mítica série da minha geração “O Espaço 1999”. A verdade é que estamos no século XXI e num ano de algo que nunca imaginei viver. Imaginei viver e vivi uma transição de século e uma transição de milénio, que privilegiada que a minha geração foi. E para mim como professora de História foi de facto magnifico. Vi muita coisa evoluir para melhor e outras para pior.

  Brinquei na rua, andei de carrinhos de rolamentos, joguei flippers no café, espalmei moedas para jogar, pus moedas para ouvi música na Jukebox. Trepei às árvores, explorei túneis e os livros tornaram-se amigos para vida.

Fascinei-me com a evolução da tecnologia e lamentei a perda de postos de trabalho graças a ela. Vi algumas profissões aos poucos quase morrerem e outras nascerem.

Consegui  ser uma mãe do século XX com filhos do século XXi.

Chamem-me velhinha do Restelo se quiserem, mas hesito em adquirir a via verde para os portageiros manterem o emprego e sempre que posso escolho-os a eles em vez das máquinas.

 Nos supermercados faço o mesmo, prefiro as Caixas com pessoas às máquinas.

Sei que um dia vão ficar só as máquinas, enquanto puder escolho as pessoas.

Nem sempre a vida é fácil, mas escolho seguir em frente. Sou grata pelo que tenho, pelo pouco, que conquistei que para mim é muito.

O que nunca imaginei foi que ao celebrar este aniversário o fizesse durante o “rescaldar”

 de uma pandemia.

Seja como for o que interessa é estar aqui para os celebrar e brindar à vida com aqueles que mais amo a minha família e também com vocês queridos amigos, seguidores e leitores.

 

 Sendo assim em resumo, vivi a passagem do século e milénio, vivi uma pandemia, já plantei uma árvore, já pus dois filhos no mundo, falta-me escrever o livro

 

O regresso às aulas do Gonçalo

Afinal quem é a mamã?

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Os dias 11 devem ter sinas estranhas. O 11 de Março de 2020 ficou marcado pela “bomba “que a OMS lançou nesse dia a palavra Pandemia. Nesse dia o meu coração parou.

Na minha memória ecoavam ainda declarações recentes “Não temos de nos preocupar”, “A Pandemia não chega cá”, mas chegou. No dia 12 tinha coisas marcadas e ainda foste para a escola. O meu coração ficou apertadinho, se já era difícil explicar aos outros meninos, como te ia explicar a ti????

No dia 13 de Março já não regressaste. Tal qual verdadeira Mamã Gansa resguardei-te debaixo da minha asa.  Mas as preocupações invadiam-me.

Como explicar que não poderias voltar a ver os amigos, brincar no parque correr na praia, abraçar e beijar aqueles que sabem que tu falas a linguagem dos afetos, a língua da meiguice e da ternura.

Perdeste ainda mais que muitos meninos, ficaste sem as tuas terapias que tanta falta te fazem e um dos nossos locais preferidos é-te agora negado.

Mas tu és uma caixinha de surpresas e tens a capacidade de ser feliz com as coisas mais simples e apesar destes meses não terem sido fáceis.

 Aguentaste-te como um herói em casa. Adaptaste-te as aulas online para grande surpresa minha. Acarinhaste-me sempre que me sentias triste. Foram tão valiosos os teus abraços e beijinhos. Regalei-me de estar contigo e com a tua irmã. Infelizmente alguns acontecimentos fizeram com que este tempo não fosse ainda mais feliz.

E agora o regresso. O meu ao trabalho. O teu à tua escola, às pessoas que te acolheram de braços abertos quando mais precisei.  Eu não queria abdicar de estar contigo, mas sei que é necessário, que te faz bem. Mas este mundo que nos obrigou a ter as máscaras na cara não é o mundo que ninguém sonhou para os seus filhos. E o meu coração estava apertadinho, queria-te debaixo da minha asa, resguardado no ninho, mas tenho de te deixar voar, ainda para mais agora, nesta pandemia, que te condicionou os voos, mas não serei eu a condicionar-tos mais. E fui-te levar.

Assim que a professora chegou, tu olhaste para ela e chamaste-lhe mamã e não. não fiquei triste nem zangada pelo contrário, o meu coração ficou à larga porque isto significa o afeto que lhe reconheces, afinal ela é um pouquinho e este ano vai ser mais que nunca a tua mamã da escola.

Mas rimo-nos e eu disse “É Professora, não é mamã”, olhaste para as duas como se estivesses confuso  e puxaste-me a máscara comos e quisesses verificar quem era a mamã. Podia dizer que eras um desnaturado, mas sei que te apegas aos afetos que te dão e que tu dás e que esta é a tua forma de dizeres “gosto de ti de professora como a minha mamã da escola”.   Corrigi porque quero que evoluas e que saibas dizer Professora.

Quando te fui buscar todos os meus receios e todos os meus medos foram aliviados pelo teu sorriso de felicidade. Percebi que regressaras aquela que também já há alguns anos um pouquinho a tua casa.  E quando te perguntei como correu a escola, tu fizeste um “fixe” com o dedo e um grane sorriso.

Agora é pôr em prática a lição que a tua síndrome sp18 e o teu autismo me ensinaram:

Viver um dia de cada vez!

Bom ano letivo para ti meu filho.

E aqui entre nós que ninguém nos ouve podes chamar mamã à professora que eu não me importo  e sei que ela também não.

Preconceito

Gravidez aos 43 - I'll Do it Again!!!!

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Este texto foi originalmente publicado no meu blog  original  a 24 de Fevereiro de 2012. Republico e acrescento algumas linhas ao que escrevi, referentes à sintomática do Gonçalo que só foi detetada anos depois.

Sei que as pessoas falam , mas como dizia a minha avó  " Os cães ladram e a caravana passa!". Sei que muita gente me criticou pela costas por ser mãe aos 43. Mas o meu filho foi desejado e planeado. Não foi feito para prender  ninguém. E é um menino lindo e muito amado. E antes ser mãe aos 43 que aos 13. Hoje uma vizinha abordou-me e disse-me diretamente:

-Ah agora depois de velha é que lhe deu para isso?já tem 40  anos não é?

Sorri.

- Não, tenho 43 anos e foi porque quis! e fá-lo-ia outra vez!

 E velhos são os trapos.

Até porque tenho uma mentalidade mais jovem que muita gente.

ah e tal o parto..

Correu lindamente. E cá para os meus botões tomara muia miúda de vinte e tal ter filhos como eu.

Por isso em resposta aos que assim pensam aqui fica a minha resposta numa foto de grávida numa t-shrt que comprei exactamente por isso.

 


É que a frase da T-shirt é a resposta:

"I'll do it again!"

E ainda acrescento que nunca me senti tão bem com o meu corpo como grávida do Gonçalo e  que o texto também  é válido para que me pergunta se soubesse do síndrome 18p do Gonçalo e do seu autismo , se voltaria a fazê-lo. Sem dúvida . E não, não foi da idade, porque há mães  muito mais jovens com crianças com autismo e problemas genéticos e mesmo o médico da Genética o disse.

I'll Do it Again!!!!

 

Ser mãe pela primeira vez depois dos trinta…

uma memória do tempo da Bá

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Grávida de seis meses da Bá.

Ser mãe pela primeira vez depois dos trinta…

 

Ser mãe pela primeira vez depois dos trinta…

 

 

Sempre foi meu sonho, ser mãe. Fui mãe pela primeira vez aos 36 anos. Não escolhi  ser mãe tão tarde. A vida dá muitas voltas e depois de uma relação longa e com as minhas expectativas de vida já trocadas, ser mãe tinha-se tornado um sonho adiado. Quando conheci o pai da Bárbara tive a maior desilusão da minha vida: o homem que eu escolhera para estar ao meu lado e tinha tudo o que eu sonhara num homem para envelhecer ao meu lado, não queria ser pai!

 

Chorei muitas vezes escondida pois também não queria ter um ou uma filha não desejada. Que fazer? Procurar outra pessoa? Não, nem pensar! Eu amo este homem com os seus defeitos e qualidades. Desistir de ter filhos? Também não era opção. Pensei que se existisse mesmo amor, o amor venceria tudo! E confiei na vitória do amor.

 

Esperei quatro anos depois de conhecer o pai da Barbara até ao dia em que ele me falou nisso. Até ao dia em que ele me falou em termos um filho. Comecei a preparar as coisas para uma gravidez planeada. Comecei a fazer exames, ecografias, análises. Estava tudo bem. O médico disse que podia parar com a pílula que tendo em conta a idade, o facto de a tomar há muitos anos, levaria perto de uma ano.

Nem dois meses se passaram e descobri que estava grávida. Fiquei eufórica mas a minha euforia e alegria talvez pela surpresa de uma gravidez tão próxima não foram partilhadas. Tentei de todas as formas entusiasmá-lo, mas conforme o tempo ia passando sentia que não ia conseguir.

 

 

Nem quando a Bárbara nasceu eu senti o entusiasmo e a euforia de outros pais. O tempo foi passando e a personalidade viva da Bárbara acabou por conquistar o pai. Que se transformou num pai babado.

 

No entanto, para mim, foi difícil as minhas pernas incharam-me imenso e tive que passar muitos dias de cama. Passei quase o primeiro mês da Bárbara deitada para me desincharem as pernas. A recuperação do parto foi má, ao fim do primeiro mês ainda me custava andar. Um dos pontos da epiosotomia não tinha cicatrizado e doía-me. A Bárbara não agarrava bem a mama e chorava noites sem fim. De dia por vezes bastava-lhe dormir quinze minutos para passar o resto do dia acordado. Eu comecei a sentir-me muito cansada e sem energia.

Nunca consegui recuperar o meu ritmo de trabalho. A minha casa nunca voltou a estar arrumada.

Se precisava de ir a algum lado levava a Bárbara comigo, pois pouco tinha com quem ficasse. Até porque a Bárbara era amamentada e rejeitava o biberão mesmo que fosse leite do peito.

Passei três anos sem ir a um cinema. Ainda hoje sinto o dobro do cansaço e dificuldade em recuperar o meu ritmo. Mas aprendi a voltar ser criança, a dar valor aos pequenos momentos, sons, gestos, carinhos. Reaprendi a brincar.

Todos os meus planos giram em primeiro lugar em torno da minha filha e perdi a minha identidade para me transformar na mamã da Babá de quem tanto me orgulho.Mesmo que ás vezes me deixe de cabelos em pé.

Rezo para ver a minha filha crescer.

Talvez me sinta com menos energia para fazer as coisas do que se tivesse sido mãe mais cedo. Mas nunca me arrependi, pelo contrário se não repetir a dose será por falta de condições. Por isso a quem pensa que perdeu a oportunidade de ser mãe por ainda não ter tido a oportunidade desejada, e pensa que já tem idade demais, eu digo não desistam. Confiem em vocês, nos vossos desejos, na medicina e para quem acreditar , em Deus.

 

Pois ser mãe é divino em qualquer idade...

 

 texto publicado também no clube mammy

crónica da Mamã Gansa às 13:01

Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

Publicado no meu blog original.

Quero Voltar...

 

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Quero voltar...quero voltar a escrever, pôr as novidades em dia e as visitas que vos devo , principalmente àqules que nunca se esquecem do nosso cantinho, mas a Pandemia, a ansiedade da Bá e a trombose ocular do meu marido tiraram-me muita energia. Mas  ao contrário do que dizia uma infeliz alminha "iluminada" embora bem intencionada ( mas de boas intenções...) dizia  isto não é um blog de desabafos. É um blog de família, com os momentos bons, os menos bons e os assim assim, com os desafios acrescidos de um menino raro único em Portugal (o único  com síndrome de deleção 18 p) e autismo. E é claro que os desabafos fazem parte da vida e por isso constam do blog, mas não são nunca foram, nem serão o objectivo principal deste blog.

Mas Setembro é mês de recomeços, de regrressos...

 Assim prometo que vou voltar, ( agora vou ter que voltar mesmo) e pôr as novidades em dia.

Abreijos virtuais sem esse vírus idiota que nos anda a dar cabo do juízo.

A foto é  para quem quiser matar saudades do Gonçalo.