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Crónicas de uma mãe atrapalhada 2: o nosso anjo azul

Um dia escrevi sobre as aventuras e desventuras das delícias da maternidade e do milagre da vida! Este é a continuação dessas aventuras com um menino especial com autismo e um raro síndrome de deleção 18P

Crónicas de uma mãe atrapalhada 2: o nosso anjo azul

Um dia escrevi sobre as aventuras e desventuras das delícias da maternidade e do milagre da vida! Este é a continuação dessas aventuras com um menino especial com autismo e um raro síndrome de deleção 18P

Escolham vocês estou sem inspiração

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 Quando descobres que a tua filha rir uma foto com o irmão com o filtroa dizer " Eu amo alguém com Autismo" o teu coração enche-se. Eu não quero,nuca quis que ela tivesse a pressão de ser isto ou aquilo fazer isto ou aquilo,talvez isso com outros fatores me levassem a tomar uma decisão drástica em 2007. Apesar de talvez me poder ter facilitado a vida noutras questões,nada paga ter tido a liberdade de crescer sem pressões externas.Quando voltei ao mundo dos blogs foi por pressão e incentivo dela e vi nisso também uma oportunidade de tentar sensibilizar as pessoas para o autismo e outras incapacidades invisíveis como doenças raras como o sp18-.Se com isso conseguir sensibilizar uma pessoa que seja para a minha causa.Então missão cumprida.
Mas quando encontro foto destas no telemóvel da minha filha com o irmão, tenho a certeza que está miúda é, sempre foi é sempre será especial é única.
E quem gostar de nos acompanhar e nos quiser ajudar a crescer e passar a nossa mensagem fico grata.
Quem não gostar seja feliz e siga em frente.

E ASSIM DE REPENTE, DEMOS POR NÓS JUNTOS HÁ 21 ANOS

Uma história de amor improvável onde até um batráquio fez de Cupido.

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Foto tirada nas nossas primeiras férias pela pela minha amiga Licínia Mesquita.

A história de como nos conhecemos fica para outra vez, se bem que sempre que nos perguntam entreolhamo-nos e rimo-nos.

A verdade é que no dia que nos conhecemos falámos muito e de tudo.

Depois passaram-se quatro meses sem sabermos um do outro.

A verdade é que nesses meses ele não me saía de cabeça, mas tentei afastar a ideia da cabeça sem muito sucesso. Achei que ele tinha mais com que se entreter. Eu era uma professora da província. Ele era um fotógrafo das revistas cor de rosa, na capital. Nunca iria dar certo pensei eu.

Numa conversa telefónica deram-me o número dele. Lembro-me que anotei no cartão que envolvia as latas de Ice Tea e o guardei numa gaveta.

Tinha combinado com uma amiga com quem tinha vivido no Porto, que se um dia fosse Lisboa me avisasse e me arranjasse lugar para ficar com ela.

Naquele ano trabalhava no ensino noturno e o dia 5 de Agosto era o meu primeiro dia de férias.

 Dormitava quando o telefone tocou. Era a minha amiga ia Lisboa e convidava-me aceitei.

 Tomei um banho. Vesti umas calças brancas e uma Túnica negra.  Apanhei o cabelo num rabo de cavalo e maquilhei-me.

Enchi-me de coragem e retirei o cartão da gaveta, liguei-lhe a medo e convidei-o para tomar um café para minha surpresa ele aceitou.

Informei que ia com uma amiga, jantar a casa de uma amiga dela e depois lhe ligaria.

Ficou combinado.

Apanhei o Alfa até Lisboa e pus-me lá num instante, vantagens de viver na cidade ferroviária na época.

 Quando cheguei à Gare do Oriente e ia descer as escadas rolantes a tentar ver o número da minha amiga, o meu telemóvel avaria.

´Por coincidência ou acaso do destino a minha amiga encontrava-se exatamente junto às escadas rolantes que eu acabara de descer.

Fui Jantar com a minha amiga e os seus amigos e colegas de trabalho da Cruz Vermelha e INEM que tinham feito trabalho voluntário em Timor após a sua independência.

Estava muito calor nesse ano. A Noite estava linda e quente como só as noites de Lisboa sabem ser.

Fui-lhe ligando dos telemóveis da minha amiga e dos amigos dela.

 Fui pedindo desculpa pois não lhe sabia explicar em que zona da Margem Sul estava e o pessoal ainda estava no café a decidir para onde ia

Por fim decidiram-se íamos ao Gringos.

Mesmo assim levámos uma hora a lá chegar porque a conversa estava animada e ninguém se decidia a levantar.

Eu ia ligando a desculpar-me.

Por fim lá conseguimos chegar. Ele estava na esplanada. Agradeci-lhe ter esperado uma hora. Sim ele esperou uma hora por mim.

Depois conversámos muito, entre copos e risos.

Lembro-me que a última frase que lhe dito era que no dizia respeito a relacionamentos amorosos estava fechada para obras.

E de repente assim como que num impulso contido que não conseguíamos mais segurar estávamos a beijar-nos.

A verdade é que se não existe amor à primeira vista, eu garanto-vos que existe à segunda, porque estamos juntos desde esse dia. Nunca mais nos separámos.

Passámos o Verão juntos e os poucos dias que tivemos separados tivemos um simpático batráquio a servir de cupido pois na época o portal do Sapo dispunha de um serviço de mensagens gratuito que permitiu que trocássemos perto de 90 mensagens.

O Verão acabou e eu não tinha fica colocada e ele pediu-me para vir ter com ele a Lisboa e eu fui ficando “como quem perde a hora, ou não tem nada a perder”.

 Quando de repente percebemos que estávamos a viver juntos.

E eu que tinha dito a alguém que nós os dois juntos não iria dar certo pois éramos parecidos demais e quando nos zangássemos partíamos uma casa.

Já partimos muita coisa, a casa vai-se aguentando.  Construímos uma família.

Continuamos juntos. Não somos perfeitos. Zangamo-nos, discutimos, discordamos e temos a relação que fez muita gente dizer “Não lhes dou nem um mês”.

 Sobrevivemos a sermos Cuidadores. Sobrevivemos a uma filha que não dormia. Sobrevivemos a um diagnóstico tardio de Autismo do nosso filho e a um ainda mais tardio de um síndrome raro e sermos cuidadores.

Vimos os nossos amigos e familiares casarem-se e separem-se e nós sobrevivemos.

Ainda vivemos no turbilhão da Pandemia Covid e não sei o que o Futuro nos reserva, mas 21 anos de vida conjunta já ninguém nos tira.

Obrigada Tikina por me teres convidado aquele dia para vir ter a Lisboa Contigo.

Obrigada Batráquio por servires de Cupido.

O meu herói da Pandemia

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Num ano em que o Gonçalo tinha ganho novos amigos, em que pela primeira vez os colegas de escola o convidaram para festas de aniversário, em que ele tinha conhecido novas  pessoas que o acolheram com carinho, num ano em que ele tinha feito novos amigos e eu chegava e o via Feliz a brincar com os outros meninos como qualquer outra criança e o meu coração se enchia de alegria… nesse ano que tanta evolução prometia, surge-nos a Pandemia.

 E se eu já admirava este miúdo, depois disto tudo admiro ainda mais.  Ele foi a minha maior força. Podem pensar que ele não percebe o que se passa à sua volta, mas não podem estar mais errados.

 Ele cumpriu as regras mesmo a refilar.  Levantou-se para as aulas online e participou e colaborou e trabalhou.

 Deixo aqui também um enorme e gigante obrigada às professoras  Élia Rodrigues e Sandra Rodrigues que foram excecionais  não só para com o Gonçalo como para comigo, por me ajudarem a orientar o Gonçalo, por me escutarem os desabafos nos dias maus, por nunca deixarem de acreditar que o meu filho era capaz e por terem dado cambalhotas para que o meu filho tivesse direito à educação.

Um grande abraço e Obrigada à Musicoterapeuta e Psicopterapeuta Catarina Carvalho, que apesar de eu compreender o quanto difícil para ela foi a musicoterapia à distância, mas mesmo assim foi ótimo , pois conseguiu que o Gonçalo andasse a cantarolar pela casa.

 Ao terapeuta ocupacional e à terapeuta da fala, cujos nomes agora me falharam, por ligarem  a  dar sugestões e enviar materiais.

 

O Gonçalo adaptou-se sempre sorridente, não gostou das máscaras ( eu  também não), mas  acabou por se adaptar e aos poucos vai conseguindo usar.

 Sei que ele tem saudades das aulas online, dos colegas, dos amigos, das professoras, Sandra Rodrigues e Élia Rodrigues, das assistentes da unidade a Dona Manuela e a Dona São que tanto o mimam e até do mimo das cozinheiras do refeitório.

Sei que tem saudades da Educadora Mena Freire que há 4 anos o  acolheu de braços abertos, na sua pior fase e das assistentes Regina e Suely que tanto ajudaram a ele e a mim.

Dos mimos do ATL, dos meninos.

 Dos abracinhos, dos beijinhos, até dos ralhetes

.

Sei que  ele tem saudades até dos seus amigos de quatro patas da Cinoterapia e dos  seus treinadores da GNR que se voluntariam para esta função

 E neste turbilhão de mudanças, de barreiras, de separações, mesmo com saudades ele sabe ser feliz

  E na sua imensa sabedoria soube ler-me a alma e desanuviar-me as tristezas com os seus abraços e beijos.

Por isso ele é o meu herói da Pandemia.