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Crónicas de uma mãe atrapalhada 2: o nosso anjo azul

Um dia escrevi sobre as aventuras e desventuras das delícias da maternidade e do milagre da vida! Este é a continuação dessas aventuras com um menino especial com autismo e um raro síndrome de deleção 18P

Crónicas de uma mãe atrapalhada 2: o nosso anjo azul

Um dia escrevi sobre as aventuras e desventuras das delícias da maternidade e do milagre da vida! Este é a continuação dessas aventuras com um menino especial com autismo e um raro síndrome de deleção 18P

Eu sou o Gonçalo e sou uma criança

Revelações sobre alguns mitos do autismo

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(Gonçalo concentradíssimo na aula da RTP ensina)

Dizem que tenho menos dez genes, dizem que tenho autismo e é verdade.

Dizem que não sou capaz de me concentrar, de olhar nos olhos, de compreender entre outras coisas. Mas eu sou capaz de me concentrar se me souberem despertar o interesse,

sou capaz de olhar nos olhos, de recordar momentos felizes e de imaginar que uma caneta é um foguetão.

Dizem que os autistas não têm empatia, mas hoje a minha amiga M. chorou na aula online quando eu saí e a mamã chamou-me , disse que a M estava a chorar e eu voltei e enviei-lhe beijinhos pelo computador para ela não chorar e eu não saí dali até a M.  se ir embora, porque eu não queria que ela chorasse.

Pensam que eu não entendo o que me dizem ou o que falam de mim,porque  não consigo falar as palavras como os outros meninos, mas eu entendo muito mais daquilo que possam pensar.

Não sou um génio, nem tenho nenhum talento especial (a não ser o de afogar os telemovéis da mamã), mas isso não quer dizer que eu não tenha capacidades.

A minha mãe chama-me anjo barroco por causa dos meus caracois e porque tenho autismo ,diz que sou o seu anjo barroco azul, ou simplesmente anjo azul,

mas isso não quer dizer  que eu seja diferente das outras pessoas,

porque às vezes também me chama de diabrete.

Eu sou uma criança como as outras, apenas funciono de manejra diferente.

Sabem, existem pessoas que trocam letras,

outras que trocam números,

outras que trocam as cores,

eu vejo o mundo de uma maneira diferente,

mas eu tenho oito anos

e mesmo sem os os dez genes que me faltam no cromossoma18,

mesmo com o meu autismo,

eu interajo, eu recordo, eu brinco, eu imagino,eu crio e sou muito mais que um diagnóstico,

acima de tudo eu sou uma criança como as outras crianças

e isto é o que a minha mãe tem aprendido comigo e gostava que soubessem.

Crianças mais especiais, menos especiais,porque todas crianças são especiais são acima de tudo crianças.