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Crónicas de uma mãe atrapalhada 2: o nosso anjo azul

Um dia escrevi sobre as aventuras e desventuras das delícias da maternidade e do milagre da vida! Este é a continuação dessas aventuras com um menino especial com autismo e um raro síndrome de deleção 18P

Crónicas de uma mãe atrapalhada 2: o nosso anjo azul

Um dia escrevi sobre as aventuras e desventuras das delícias da maternidade e do milagre da vida! Este é a continuação dessas aventuras com um menino especial com autismo e um raro síndrome de deleção 18P

Panquecas Arco- ìris

uma sugestão para os mais pequenos

Esta ideia do zig zag é muito gira. Confesso que ainda não experimentei, mas assim experimentar prometo que mostro resultado, porque acreditem vou experimentar e se o fizerem partilhem também. Combinado? agora digam lá se não é uma ideia gira????

 

Meditação à moda do Gonçalo

Ou Gonçalo no seu melhor

A Bárbara estava  a tentar ensinar o Gonçalo a meditar, algo que  a tenho tentando ensinar a fazer para lidar com a ansiedade. Ela  depois de ensinar o Gonçalo a sentar-se pede-me que ponha um vídeo com música relaxante para ajudar.  Vemos alguns e eu lembro-me deste do peixinho balão e digo:

- Espera,  que vou procurar o do peixinho balão.

O Gonçalo que até aí até estava a ir bem, tentando imitar a respiração com uma expressão giríssima , é que  ele franze o nariz ao inspirar e fechar os olhos( mas que não consegui filmar), quando me ouve falar em peixe balão, enche as bochechas de ar e depois faz pum e joga-se para o lado como se se fosse um balão rebentado.

Lá se foi a meditação, mas demos uma boa gargalhada, que também foi terapêutico!

Não nós não estamos bem, mas vamos ficar!

Obrigada por perguntarem!

Tenho escrito pouco não é preguiça, nem falta de inspiração , nem falta de vontade de escrever. Entre o fim de Fevereiro até agora  a nossa vida tem dado mil e uma voltas.

Graças a uma empresa de alojamento local tivemos de trazer a tia do Pedro de 92 anos para nossa casa, e quase de urgência.    Infelizmente ou felizmente não lhe arranjaram um lar, depois das  Assistentes Sociais nos terem chateado durantes dois anos para a por a ela e a minha falecida sogra num lar.

O Gonçalinho até tem aguentado melhor a quarentena. Talvez  por desde muito cedo estar habituado a ser posto de parte. Desde que entrou para a Escola que frequenta agora que isso não acontecia, no entanto, brincar sozinho não é novidade para ele.

 

Estamos a braços com um caso muito sério de uma adolescente com crises de ansiedade e ataques de pânico. Era a minha intenção escrever um post sobre isso, mas  não tenho dormido bem , o que tolda a minha capacidade de raciocínio e por consequência a  minha escrita.

 

Este é o motivo também pelo qual só tenho acompanhado mais no Instagram os vossos blogues  ultimamente,  no dia em que tive um pouco de sossego no meu perfil da Alfa do

Blogue que partilho com a filha. Outras vezes leio, mas não estou com cabeça para comentar.

E se antes não era simples, agora  a ter que apoiar uma criança com autismo, uma idosa de 92 anos que parece um bebé com birras às vezes, mesmo que ainda esteja lúcida e uma adolescente a lidar com ataques de ansiedade e pânico. Está mesmo complicado.

 

Eu   até estava a conseguir superar a minha ansiedade e os ataques de pânico, mas com a minha pérola assim, não estou a conseguir,  o que também não a ajuda.

 

A Bárbara é uma pérola, sim, uma jovem de bons sentimentos e de bons princípios e inteligente,  mas, nem sempre isso é tão simples ou tão fácil de  lidar como as pessoas pensam. Aliás se as pessoas lerem com atenção o blogue da infância dela percebem que era o meu desabafo  por me sentir atrapalhada a lidar com aquela criança, mas tentava sempre ver o lado positivo da questão, porque essa é a minha filosofia de vida.

 

 E não, não sou uma mãe forte, nem guerreira, nem corajosa, aliás às vezes digo em tom de desabafo que isto devia ser  Crónicas de uma mãe desesperada, mas gosto de ver o lado positivo das coisas, por isso, este post é só para vos explicar a minha ausência.

Sei que estamos todos no mesmo barco e  muitos andamos com a vidinha virada do avesso . Por isso e porque já antes da Pandemia me assustava com as ausências, porque se repararem bem tenho na coluna do lado um secção de homenagem a duas amigas bloggers que estimava e cuja ausência infelizmente se prolongou para sempre.

Por isso escrevo este post a  explicar a ausência.

Não estamos bem, mas vamos ficar.

Obrigada a quem perguntou!!!

Por isso não deixem de nos visitar. 

Por fim, um recado para uma pessoinha  especial, os meus leitores são todos especais, mas ganhei um carinho especial por esta menina: querida “Sobrinha”  Desconhecida Bea, a tia Gansa tem saudades tuas e gostava de saber se está tudo bem contigo e com os teus .

Beijos para todos , fiquem bem fiquem seguros.

.Nota: Este post vai sair em duplicado neste perfil e no da Alfa no blogue da Filha.

A minha Liberdade

Obrigada 25 de Abrl

Quando me pediram uma reflexão sobre liberdade a primeira coisa que me veio à cabeça foi este refrão da canção

“Liberdade, Liberdade, quem a tem chama-lhe sua,

Eu não tenho liberdade nem de pôr o pé na rua”

Felizmente não é bem assim que eu vivo e sou grata por isso.

Embora na minha infância tenha tido falta de liberdade, a liberdade de ir à rua, a liberdade de ir à escola foi-me retirada pela Guerra colonial.   Como todas as guerras, uma guerra estúpida sem sentido.   Posso estar grata por ter tido apesar de tudo liberdade para conhecer outras pessoas, outras culturas, outras paisagens e liberdade para viajar.

Posso dizer que tive uma infância com uma liberdade que poucas crianças hoje terão, Liberdade de brincar na rua, liberdade de trepar às árvores,  liberdade de ir e vir da escola a pé.

Mas a liberdade de que venho a falar até agora é  uma liberdade física por assim dizer.

Contudo existem vários tipos de liberdade. E sim, todos conhecemos, mas por vezes não lhes damos valor. Como a Liberdade de expressão, que me permite dizer as baboseiras que me ocorrerem, ler os livros que eu quero, escrever a minha opinião num blogue sem me preocupar com as consequências. Mas permitir-me-á essa liberdade de expressão dizer tudo o que me ocorre sem pensar duas vezes?

Será correto usar a minha liberdade de expressão para inferiorizar, outras pessoas, os seus valores, as suas  culturas crenças ou memórias???

 É claro que se for para denunciar costumes desumanos talvez faça sentido, afinal a evolução da Humanidade fez-se lutando contra alguns destes costumes, mas ao exercermos a nossa liberdade deveremos entender quando devemos ou não respeitar a liberdade dos outros.

Recordou-se recentemente o drama de Auschwitz.  E uma das polémicas era sobre o respeito ao memorial e das fotos que os turistas tiravam como podem ver aqui. O facto de ser uma realidade longínqua para alguns levou a que tirassem umas fotos descontraídas , talvez porque sem maldade na altura, não entendessem o que aquele local pretende manter vivo. A  memória dos horrores que o  Ser Humano é capaz de infligir aos outros seres humanos. O que estava aqui em causa era que essas pessoas são livres de tirar fotos, mas não de desrespeitar  uma memória que causou tanto sofrimento com essas fotos.

Isso levou-me também a refletir na liberdade de pensamento. Eu costumo dizer que em História não quero  seres “decorantes” quero seres “pensantes”. Costumo dizer que é perigoso não se pensar sobre as coisas, sobre o risco de fazermos o ditado  e entrarmos em Ditadura. Como explicar que o ditado é a ausência da liberdade do pensamento? Recordo-me as juventudes em que os Jovens cresciam a acreditar que tinham a liberdade de humilhar outros e tirar vidas. Choca-me que uma das mais cruéis guardas de Auschwitz tivesse vinte anos quando foi enforcada por crimes à Humanidade.  Ela cometeu-os porque foi privada desde cedo da liberdade de pensar pela sua própria cabeça, porque decorou e acreditou que o que lhe ditaram era o que estava correto. Este é o grande perigo dos ditados,  da ausência de liberdade de pensamento.  Podia ser alguém intrinsecamente com maus ímpetos ou  estes teriam sido originados porque o seu pensamento foi formatado desde cedo, sem liberdade para formatar a sua personalidade?

Mas ainda há outro tipo de liberdade que pouco se fala no nosso país, e esta liberdade financeira, creio que poucas pessoas no nosso país podem sentir que têm liberdade financeira.  Em famílias como a minha em que um dos elementos do agregado familiar necessita de cuidados especiais e o elemento que mais contribuía se encontra em situação de desemprego, confesso que não posso dizer que usufruamos dessa liberdade. E tenho conhecimento de situações bem mais desfavoráveis que a nossa.

Por último, que já me alonguei, há uma liberdade em que cada vez me identifico mais a liberdade de espírito, de viver plenamente cada momento, é uma liberdade das mais valiosas e a não foi a  primeira lição que tive na vida, sobre essa liberdade, mas a mais valiosa foi-me trazida pelo meu filho, quando o vejo feliz a correr, a rodopiar sobre si próprio, a brincar da sua forma particular em que não se importa com o que os rodeiam possam pensar,  a verdade é que ele me tem transmitido essa liberdade de espírito que eu já tinha esquecido, que estava adormecida dentro de mim com a luta pelo diagnóstico, a liberdade de ser a mãe que quero ser para o meu filho, e não a mãe que os outros querem que eu seja.

A liberdade da mãe que “uiva” feliz no carro, porque sente que o seu filho é um ser feliz livre de preconceitos.

Às vezes pensamos que somos livres mas estamos presos a preconceitos e até a memórias ou objetos.

E afinal, a Liberdade é o que sentimos quando nada mais importa quando somos felizes com o que nos rodeia.

 Texto de minha autoria 14 de Fevereiro 2020

 

 Este texto não menciona o 25 de Abril,mas  a conquista da Liberdade que esta revolução nos trouxe creio que se consegue "ler nas entrelinhas, até porque sem o 25 de Abril eu não teria a Liberdade de o escrever.

Este texto foi escrito a convite da maravilhosa MJP para o seu Magnífico blogue que celebra a  Liberdade  ttodos os dias e publicado na sua Rubrica A liberdade de...

Obrigada MJP por  me teres inspirado a escrever texto.

O nosso segundo aniversário com Bis Ponto Cruz: convidado especial para Festa!!!

E mais umas novidades

 

 

E apesar do nosso blogue original ter nascido em 23 de Julho de2007 , esta segunda parte está hoje de Parabéns!!!!

Sim é o nosso 2º Aniversário!!!!!! E é um aniversário histórico em tempo de pandemia.

Mas nem por isso deixa de ser motivo de alegria, pelo contrário.  Então decidimos celebrar o nosso aniversário de uma maneira original. É que eu tenho um convidado muito especial hoje. Um exímio artesão  e além disso uma excelente pessoa com uma família muito simpática.

Estou a falar-vos do Bruno Madeira do Bis Ponto Cruz. Projecto que tomei conhecimento através da Chic’ana.

Ele é o responsável por estas Gansinhas simpáticas que tenho comigo. E as marotas das  Gansinhas andaram a voar para lá e para cá e por fim chegaram ao seu destino.  E à  conta disso já falei tanto ao telefone com o Bruno que já o posso considerar um amigo.

Eu e o Bruno tínhamos combinado fazer um give away no Instagram, porque ambos gostávamos de ter mais seguidores na nossa conta de Instagram. O Bruno para divulgar a sua arte, eu para divulgar a minha causa. Mas tivemos de ver como iam parar as  modas com a Pandemia  e adiámos. Depois foi a minha Bá que adoeceu pouco antes da Páscoa e o Gonçalo que andou com os sonos desregulados. De maneira que dá até para notar no meu rosto o cansaço. Assim e até porque hoje é dia de festa para o nosso blogue, em vez de receber prendas somos nós que as vamos dar, mas na nossa conta de instagram.

Mas antes disso vamos conhece rum pouco mais  do Bruno Madeira e do seu fantástico trabalho.

Mamã Gansa: Antes mais se como é que o Bruno se apresenta como pessoa?

       Bruno Madeira:  Como pessoa considero-me uma pessoa calma mas com um feitio um pouco "lixado" dou o que tenho mas se me enganam ou pisam sou vingativo.

         Sou trabalhador, muito de estar no meu canto, adoro o mar, a família, a natureza. Sou de uma cidade chamada Oliveira do Hospital, no distrito de Coimbra, sou muito agarrado a minha terra e as gentes de lá. 

Mamã Gansa: Já vi que é o Homem dos sete ofícios.  Marinheiro, Bombeiro, artesão. Como é que conjuga tudo isso?

Bruno Madeira:  Com muito sacrifício, mas também com gosto pelo que faço. A família sofre um bocado com tudo isto, pois em alturas sou um bocado ausente. Mas eles compreendem e dão-me força para continuar a lutar em frente. No dia a dia o tempo é contado ao segundo.

Mamã Gansa: Vi numa entrevista  e acho que até já tínhamos falado disso, lá em casa é o Bruno que cozinha. Aqui em casa começou a ser assim  depois de a minha filha nascer. Na sua foi sempre o Bruno que cozinhou ou os filhos também tiveram influência?

Bruno Madeira:  Eu sou o irmão mais velho de 3, e fui sempre "obrigado" a tomar conta deles. Isso obrigou-me a tomar o gosto pela cozinha e depois foi sempre a cozinhar, cozinho por gosto, mas também porque dá muito jeito nesta vida de casal, mas nunca uma obrigação.

Mamã Gansa: Li no site do Bis Ponto cruz que tudo começou porque queria oferecer uma prenda a uma futura mamã. Mas quem bordou essa prenda?

Bruno Madeira:-Fui eu, mas a esposa criou o gráfico.

Mamã Gansa: Ainda se lembra do nome da  professora que lhe ensinou o ponto cruz?

Bruno Madeira: -Não, pois não era portuguesa, e só a tive nesse ano.

Mamã Gansa: Li uma vez que ainda havia pessoas que reagiam com preconceito ao facto de um  homem fazer ponto cruz. Quem reage pior os homens ou as mulheres?

Bruno Madeira: -Nos dias de hoje começo a ter a sensação de que são as mulheres, pois são mais preconceituosas

Mamã Gansa: Qual o trabalho que mais gostou de realizar em ponto cruz?

Bruno Madeira: Não sei dizer qual, pois já passaram tantos, mas o que ultimamente me deu mais gosto de fazer foi o de pegar numa peça de alumínio que encontrei ao lado do caixote de lixo e criar o gráfico que para mim era o ideal. Uma homenagem as mulheres, um corpo de mulher estilizado.

Mamã Gansa: Trabalha com a sua esposa também no ponto cruz. Quem escolheu o nome da empresa e porquê?

Bruno Madeira: O nome foi lançado para a mesa por mim como muito que apareceram, o nome Bis têm a ver com as três pessoas que existiam cá em casa, B de Bruno, I de Inês(filha) e S de Sílvia(esposa)

Mamã Gansa: Se lhe dissessem há dez anos  que ia ser artesão de ponto cruz o que respondia????

Bruno Madeira: Que tudo podia ser possível, mas muito contido nas minhas palavras.

Mamã Gansa: Há alguma mensagem que  queira deixar?

Bruno Madeira:  Que lutem sempre pelos vossos objetivos, ideias, pois se vocês não lutarem ninguém luta por vocês.Oiçam as críticas como um incentivo para fazerem mais e melhor.

 

O Bruno trabalha em equipa com a esposa que é designer e vale a pena conhecer os outros trabalhos dele.

E as prendas dizem vocês?

Entrem na nossa conta de instagram @flora.rodrigues.68  aqui do Crónicas, ou Bis Ponto Cruz@bispontocruz e vejam lá todas as regras.

Espero que tenham gostado. Volto brevememte com novidades do Gonçalo e outra surpresa!

Estou-me a borrifar…O que me importa mesmo é que os meus filhos fiquem bem!!!

As aulas recomeçaram agora online e se eles não conseguirem????

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Foto tirada no inicio das aulas.

Estou-me a borrifar…O que me importa mesmo é que os meus filhos fiquem bem!!!

 

Fiquei chocada com a quantidade absurda de trabalhos que  os professores da minha filha do 9ºano lhe enviaram , em que apenas duas se dignaram a  dirigir algumas palavras de consolo e  carinho aos alunos. Alguns nem pediram os trabalhos de volta. Mas fui dizendo à minha filha para os fazer gerindo com prioridade os que pediam os trabalhos e enviaram contactos. Quanto ao meu filho as professoras da educação especial enviaram algumas sugestões das quais apenas consegui realizar uma com o Gonçalo e mal, sempre com ele muito contrariado. Não o forcei, em casa tem mil e uma coisa que o dispersam.

 

 O pior de tudo foi quando por mais cuidado que tivesse com o que viam e ouviam, a minha filha foi parar ao Hospital com uma crise de ansiedade. Após se ter queixado várias vezes de dores no peito e com tonturas e as pulsações que nos  picos chegaram a atingir as 146,  recorremos  à Saúde 24 ,que por sua vez passaram ao Inem, que enviaram uma ambulância  dos Bombeiros da nossa área de residência que a levaram ao Hospital da Estefânia onde à  noite, a partir de uma certa hora, segundo nos disseram estão centralizadas todas as urgências de pediatria da zona de Lisboa, pois já passava das 22 horas.

 

 

Para quem não me conhece sou professora e mãe de dois filhos fantásticos: A Bárbara e o Gonçalo.

A Bárbara sempre foi uma daquelas crianças cheias de vida,  gatinhou e falou  cedo e desde aí como digo nunca mais se calou.  Adora ler, é no geral boa aluna, aprende rápido e quando tem de faltar recupera rápido e nunca tive razões de queixas dela na escola, pratica tiro com arco e toca Violoncelo a sua paixão para a vida. Mas…  a Bárbara tinha 9 anos quando foi parar aos cuidados intermédios do Hospital Fernando Fonseca com uma pneumonia, que não era nada porque ela não tinha febre e eu senti-me a pior mãe do mundo porque adiei e pensei que era manha dela, para não ir à escola, mas não, ela estava mesmo doente.

Desde aí a minha filha é acompanhada porque tem uma asma grave com relatórios no processo que os professores insistem em ignorar. Falei duas vezes com a Diretora de Turma que em nenhuma das vezes fez registos de nada do que lhe transmiti. A Bárbara tinha estado doente pouco antes do fecho das escolas e celebrou o seu 15ºaniversário  no dia em que as escolas fecharam. Assim, tenho uma filha adolescente supostamente neurotípica que é grupo de risco.

Depois tenho o Gonçalo que exige muita atenção. O Gonçalo tem autismo derivado de um síndrome genético raro, o Síndrome de deleção do Cromossoma 18, tem dez genes apagados, o que  está na origem do seu autismo, infeções auditivas e atraso de desenvolvimento. Mas o Gonçalo embora verbalize pouco graças a Deus é autónomo para se mexer e um pouco hiperativo. A juntar isto ainda tive de trazer um pouco de urgência para casa, a tia avó deles de 92  anos porque não encontrei um lar decente.(Agora digo, felizmente, mas disto falarei noutra altura).

 

Com a crise de ansiedade da Bárbara e sabendo eu infelizmente muito bem o que é isso, a nossa preocupação como pais redobrou. O Gonçalo ressentia-se e foram muitas as noites em claro cá em casa a tentar regularizar o sono de ambos.

Após só ter adormecido às sete da manhã, levantei-me ao meio dia. Era supostamente o dia de regresso às aulas.  Pego no telemóvel que tinha estado a carregar e vejo que tenho uma chamada não atendida de um número desconhecido, ligo de volta, pois aguardo contacto dos terapeutas do Gonçalo. Não atendem, passados uns minutos o telemóvel toca. Era a Diretora de Turma da minha filha a perguntar se tinha visto o mail que me tinha enviado. Não, não vi -respondi. Além de ter reclamado da catadupa de trabalhos enviados sem qualquer palavra de humanidade, reclamo dos testes em que não deram uma segunda oportunidade à minha filha quando faltou por estar doente. E acrescento: Sabe porque não vi? Porque tenho dois filhos que não dormem. E fica a saber que a minha filha durante “ as férias” foi parar ao Hospital com uma crise de ansiedade, ela não fica só doente durante as aulas, mas nas férias não  dão pela ausência dela. O meu filho que tem autismo , está alterado e tem os ritmos todos trocados e nem dorme , nem nos deixa dormir (e nem lhe falo que ainda tenho uma idosa de 92 anos a cargo). E eu meti um mês de baixa porque me é impossível trabalhar com eles assim. Vai-me desculpar a honestidade, mas neste momento interessa-me que os meus filhos fiquem bem , que regularizem os seus ritmos, seu sono e o seu sistema nervoso. Obrigada pela atenção quando puder vou ver o mail. Mas neste momento estou-me a borrifar para as aulas quero é ver os meus filhos bem!!!!

E nem quero saber se os meus colegas ficam muito chocados  com as  minhas palavras. Ter conhecimento de desabafos de mães que saem para imprimir fichas aos filhos com problemas de aprendizagem, integrados na educação especial que nem adaptadas são, revolta-me. Já para nem falar que o Ministério da Educação lançou um documento orientador onde não existe nem uma linha de orientação sobre as sempre esquecidas crianças da educação especial.

Na nossa família decidimos o que o mais importante era sobreviver a esta pandemia que nos assombra.

Eu perdi um ano de escola quando fui retirada da escola por causa da guerra colonial, mas sobrevivi e isso permitiu-me chegar aqui.

 Pois sim, eu sou professora e digo:

As aulas recomeçaram agora online e se os meus filhos  não conseguirem????

Estou-me a borrifar…O que me importa mesmo é que os meus filhos fiquem bem!!!

E espero que os meus alunos  e as suas famílias também!!!!

 

 

O nosso arco-Íris

Uma verdadeira obra de arte não acham???

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O Gonçalo pintou. O lago fiz eu para disfarçar um disparate meu que ia estragando o nosso arco íris e o barquinho é meu, depois da tentativa que o Gonçalo fizesse um. Não resisti a juntá-lo só para a foto. Costumava fazer mini frotas destes barquinhos, porque me ajudavam a concentrar-me. E ah usámos material reciclado.

 
 

Uma Páscoa com muita saúde

Tempo de passagem e Renascimento!

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Não consigo em consciência desejar ums Páscoa Feliz. Este não é um tempo feliz.É um tempo difícil.Nem todos temos uma casa no campo para onde fugir e dar melhor qualidade de vida aos nossos filhos. O meu filho entende a linguagem dos afectos como lhe vou explicar que não pode voltar a a abraçar ou dar beijinhos às pessoas de quem gosta? É sempre uma luta para lavar as mãos, para tudo. Eu bem lhe falo do bicho mau. Ele corre de um lado para outro já cansado de estar em casa. Estão cansados de estar em m casa com os vossos filhos? Experimentem estar com uma criança especial como o Gonçalo, porque infelizmente nós não temos nenhuma herdade para onde fugir. Isto é tudo muito bonito quando se tem dinheiro e herdades. ou casa no campo para onde fugir. Não é uma critica a quem o tem de forma alguma, apenas o mostrar o outro lado de uma realidade, que nem todas as famílias com crianças especiais tem excelentes condições para estes tempos. Mas dou graças por estarmos todos de saúde e isso é realmente o que importa. A Páscoa significa Passagem, Renascimento. Que este seja um tempo de passagem e Renascimento e que o ano que vem está Páscoa seja apenas uma memória de tempos difíceis.Mas não consigo desejar uma Páscoa Feliz sabendo que para muita gente não o é sem me sentir desonesta ou hipócrita. Por isso desejo-vos um tempo de Páscoa com muita saúde. E que está passagem seja tempo de reflexão e Renascimento para todos nós. São os meus votos em nome da minha família. Fique bem.💙😘

Um grande aplauso para todos os que vivem com o Autismo

2 de Abril Dia mundial da Consciencialização para o Austismo

 

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Hoje eu aplaudo todas as mães, todos os pais, todas as famílias que como eu têm uma criança com autismo em casa.

Todas as que mães que como eu lutem pela evolução  e autonomia dos seus filhos,

Todas as famílias que lutam contra os julgamentos da sociedade que os condena,

Porque o autismo pode ser invisível aos olhos, mas ele está lá.  Faz parte das nossas vidas todos os dias.

E ainda te dirijo um recado a ti mãe que me vês passar à tua frente na fila do supermercado, do cinema ou noutra qualquer, que preferia estar no teu lugar e não ter que passar à tua frente, mas é um direito que o meu filho tem e que reza para que o teu nunca tenha que o ter,

Aplaudo todas as mães que como eu têm filhos que pouco ou nada verbalizam e têm de ser a sua voz por eles e aprenderam a ouvir com o coração

Aplaudo as mães que como eu tiveram de tirar os filhos das suas rotinas diárias , muitas vezes criadas com muito esforço e que agora se esforçam por criar outras.

Aplaudo todas famílias como a nossa que têm de substituir os professores, as terapias neste confinamento.

Aplaudo todas as famílias que lutam para que os seus familiares com autismo tenham direito ao seu lugar no mundo.

Para todas as mães, pais e famílias com crianças com autismo um grande aplauso!!!!!

Nós estamos na linha da frente todos os dias a defender os nossos filhos do preconceito e a lutar pela aceitação deles no nosso mundo, porque os nossos filhos vivem neste mundo e não num mundo deles, só têm uma maneira diferente de o ver e de o viver.

Um grande aplauso para que nós que todos os dias travamos batalhas na linha da frente para que os nossos filhos tenham pequenas vitórias ,porque um diagnóstico não é uma sentença é uma casa de partida para uma maratona que nunca tem fim.

Aplausos para todos os que  acarinham e aceitam uma criança  ou um adulto com autismo entre os seus como professores, como amigos, como  donos de ATl.

 

Aplausos para nós que estamos na linha da frente a  dar a cara para a sensibilizar as pessoas para o autismo.

Aplausos para todos os que acreditam num mundo melhor hoje é dia 2 de Abril o dia mundial da consciencialização do autismo.

 Mas porque os nossos filhos não deixam de ter autismo nos outros dias, mães e pais como eu todos os dias dão  a cara por um futuro melhor.

Um enorme aplauso para nós que estamos na linha da frente do autismo todos os dias!!!!!