Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Crónicas de uma mãe atrapalhada 2: o nosso anjo azul

Um dia escrevi sobre as aventuras e desventuras das delícias da maternidade e do milagre da vida! Este é a continuação dessas aventuras com um menino especial com autismo e um raro síndrome de deleção 18P

Crónicas de uma mãe atrapalhada 2: o nosso anjo azul

Um dia escrevi sobre as aventuras e desventuras das delícias da maternidade e do milagre da vida! Este é a continuação dessas aventuras com um menino especial com autismo e um raro síndrome de deleção 18P

Sapos do ano Família 2019!!!!!

Ganhámos!!!!!Obrigada!!!!

thumbs.web.sapo.io2019.jpg

“Ganhamos ou perdemos, afundamos ou nadamos

Uma coisa é certa, nós nunca iremos desistir

Lado a lado, mão na mão.

Todos nós permanecemos juntos!!!!!”

 Tradução da 1º quadra da letra de “We all stand Together”

 Dediquei este vídeo (na capa do post) a todos os que nos nomearam  e a todos os que votaram em nós. Volto a dedicá-lo a todos os que desta forma demonstraram o carinho que têm por nós.   Fiquei contente e especialmente surpresa com a vitória. Sei que não acreditam, mas não esperava. Sei que esta é uma vitória partilhada afinal como expliquei aqui  fomos nomeados com o nome deste blogue e o link de outro que partilho com a filha, mas somos nós, a nossa família. Estranha ,louca, invulgar, raríssima.

 Umas ,vezes sem força, a afundar ou vezes a manter-nos à tona, “Sempre a nadar, sempre a nadar”*  , e a verdade é que está na quadra, perante as adversidades que possam surgir na nossa família, uma coisa é certa nunca iremos desistir. Mesmo que não tivéssemos ganho este post ia acontecer, porque já tínhamos ganho na nossa união como família e pelo simples facto de termos sido nomeados.

 Vou-vos fazer duas confissões. A primeira é sobre a minha filha, linda, fantástica maravilhosa que falou cedo demais e cresceu cedo demais.  Eu perdi as primeiras palavras da minha filha, pensava que estava a imaginar coisas. Era muito giro ouvi-la falar, mas a verdade é a sensação que , foi que passou de bebé a criança cedo demais e não era fácil lidar com ela, nem com a dificuldade que ela tinha   ( e ainda tem) em se integrar na escola. O meu blogue era a minha terapia, o meu pedido: “Ajudem-me que eu não sei lidar com isto!”.

       Depois de alguns anos nasceu o Gonçalo e eu vivia numa nuvem de felicidade rosa, azul, arco-íris colorida como o mundo e a vida deviam ser para todos. Até pouco mais de um ano, o Gonçalo era um bebé com um desenvolvimento normal. Alegre, palrador, amoroso e cheio de vida.  Se calhar os sinais já lá estavam, mas eu não tinha termo de comparação, a Bá tinha falado aos seis meses as primeiras palavras, esse não era um padrão normal de comparação e todos  me diziam que os rapazes falam mais tarde; “Cada criança tem o seu ritmo” e é verdade, mas nem sempre…

Aos poucos, aquele aperto de coração, que só a intuição de mãe nos dá, de que algo não estava bem, ia ficando cada vez mais forte e depois de uma luta pelo diagnóstico afundei.

Eu queria acreditar quando os médicos me diziam que estava tudo bem, que não se passava nada de mal, afinal eles eram os profissionais….

Mas eu sabia que estava certa e eles errados e o sentimento e culpa foi tão assolador que afundei, e só me mantive à tona, porque tenho esta filha maravilhosa a minha Bá traquina e reguila, refilona, com mau feitio, inteligente, sempre crescida demais para a idade, mas com um coração que abarca o mundo e um Homem imperfeito, de mau feitio, como eu, mas maravilhoso, que num rasgo de sinceridade, quando eu estava grávida da Bá me confessou que não se sentia com força para ser pai de uma criança “especial” e apesar das palavras, os atos dele com o Gonçalo que o idolatra, provaram exatamente o oposto.

 A outra confissão é que perante o Gonçalo me senti tão perdida, tão só, que achei que não era capaz, que era a pior mãe do mundo. E foram eles que ficaram ao meu lado e permanecem.”Ninguém larga a mão de ninguém”. Lado a lado, mão na mão. Todos nós permanecemos juntos!!!

 

Se preferia que o meu filho não tivesse Autismo , nem o Síndrome de deleção 18p? Dessem-me a escolher entre   o meu filho ser uma criança sem nenhum problema e o Euromilhões  e eu escolhia a primeira sem hesitar.

 Porém a experiência com o meu filho deu-me uma perspetiva nova da vida, do mundo, das pessoas e das relações. Aprendi que nas relações só permanece quem merece. O Autismo de certa forma varreu a hipocrisia das minhas relações.

 Nos piores momentos da minha vida, conheci algumas das pessoas mais maravilhosas deste mundo e a quem guardo no coração para o resto da vida. E de outra forma provavelmente não as teria conhecido.

 Para terminar só queria dizer estou grata a quem me lê e votou em nós. Vamos tentar não vos deixar ficar mal, nem vos desiludir.

 

Dedico este post

 

À Magda e ao David como forma de agradecimento pela iniciativa dos Sapos do Ano. Nem imagino a trabalheira que isto vos deu. Obrigada vocês são fantásticos.

A todos os que votaram em nós ,claro  ”. Vocês são fantásticos 😉 .

À Rute Justino de “ A Nossa Vida” com quem desejo partilhar esta vitória, porque adoro o Blogue dela, à Joana do Quiosque mais amoroso que conheci e que se mudou para outro pântano com companhia, por serem as minhas preferidas entre as finalistas.

A todas as bloggers que comigo foram finalistas e nomeadas, a todas as mães e pais que independentemente de terem ou não crianças especiais,  dão o melhor de si às suas famílias.

Às mães e famílias de crianças que exigem cuidados especiais e que perante as adversidades não desistem.

À Bruxa Mimi que foi a primeira a comentar o meu blogue, e à Chic’ana que fez o primeiro

Comentário no blogue da Filha. Ao Triptofano pelos conselhos farmacêuticos e  me estragar o almoço. À C., à  Bom Garfo, à Rita Gameiro, minhas companheiras de blogues desde 2007.

À MJ, ao Insensato, à minha querida sobrinha dos blogs a desconhecida Bia, ao O Último fecha à porta, à Mami, à Terceira Face, à Maribel , que me fizeram acreditar que havia quem lesse o meu blogue.

À Sofia Castro Sousa pela sua colaboração no consultório mesmo que temporária foi uma mais valia.

Também à JonasNuts que em 2007 me ajudou no inicio do meu blogue e me ajudou  recentemente quando tive a minha página bloqueada e que partilha comigo uma atrapalhação vitalícia nestas coisas da maternidade.

Por último, mas não menos importante a todos os que nos seguem no Facebook, no Instagram e a todos os que nos leem.

 

“We all stand together”

 

*Obrigada Dory por nos ensinares a mater-nos à tona.