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Crónicas de uma mãe atrapalhada 2: o nosso anjo azul

Um dia escrevi sobre as aventuras e desventuras das delícias da maternidade e do milagre da vida! Este é a continuação dessas aventuras com um menino especial com autismo e um raro síndrome de deleção 18P

Crónicas de uma mãe atrapalhada 2: o nosso anjo azul

Um dia escrevi sobre as aventuras e desventuras das delícias da maternidade e do milagre da vida! Este é a continuação dessas aventuras com um menino especial com autismo e um raro síndrome de deleção 18P

Uma nomeação insólita

sapos do ano Família

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Foi com alguma surpresa e alegria que percebi que tinham votado para nós na categoria família, dos Sapos do Ano mas a surpresa maior é que é uma nomeação dois em um isto votaram no Blogue Crónicas de uma mãe atrapalhada com o endereço do Crónicas de uma filha atrapalhada. Escrevi dois mails para os organizadores dos sapos do ano a Magda portugal e o David Marinho (a quem desde já agradeço o trabalheira que stão a ter e ainda arranjarem tempo e paciência para me aturarem),e eles confirmaram-me que não era erro as pessoas tinham mesmo votado assim. O endereço seria o do Crónicas de uma Filha mas com o nome de Crónicas de Uma mãe atrapalhada .De facto há aqui uma confusão legítima porque eles são complementares. O Crónicas de uma Mãe é o meu blogue de mãe e sobre a toda a família com incidência especial para o elemento mais novo da nossa família o meu filho com autismo e síndrome de deleção 18p e para dinâmica da nossa família com uma criança com os desafios que ela apresenta. O Crónicas de uma filha é o regresso da Bá comigo aos blogues, para quem não sabe, aos dois anos a Bá era bem famosa aqui no sapo e ao reler o blogue da infância dela (cuja senha ainda não consegui recuperar depois de ter de alterar por questões segurança), quis fazer um blogue a duas, mas tímida e perfecionista como é , tem vergonha de escrever, e acabo eu por escrever a maioria das vezes.

Eu sei é uma situação insólita, mas acho que os nossos leitores gostam tanto de nós que não conseguiam votar só num e arranjaram uma solução. Votaram nos dois com o nome de um e o link do outro

Na resposta os organizadores do sapo do ano a quem desde já agradeço a paciência perante o insólito da situação deram-me a escolher qual representaria melhor a família e depois de consultar a Bá esta achou que deveríamos optar pelo Crónicas de uma mãe atrapalhada que embora tendo o irmão mais novo como protagonista nos representa a todos. Esperamos que nos apoiem na nossa decisão.

No entanto achámos que também deveríamos dar palavra a quem votou em nós que caso discorde da nossa decisão porque era mesmo no Cronicas de uma filha atrapalhada que queria votar e queira fazer valer essa decisão faça chegar essa decisão aos organizadores dos sapos do ano.

Seja qual for a decisão agradecemos a todos pois foi para nós uma surpresa!

Este post com a concordância da Bá é publicado simultaneamente nos dois blogues.

Esta é sem dúvida uma situação digna de uma mãe atrapalhada e de uma filha atrapalhada.

Aqui ficam os nomes dos blogues e os respetivos endereços

Cronicas de uma Filha Atrapalhada

https://cronicasdeumafilhaatrapalhada.blogs.sapo.pt/

Crónicas de uma mãe atrapalhada 2: o nosso anjo

htps://cronicasdeumamaeatrapalhada2.blogs.sapo.pt

E se fossem vocês o que fariam???

imagem retirada da Net com link de referência.

A nossa ida aos Angry Birds

(conforme o prometido, apesar de tardio)

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 Pois é estou sem escrever há algum tempo e só vim aqui porque um amigo me desafiou a escrever. O que se passa não é a falta de novidades, mas falta de tempo. Passo a explicar, para conseguir manter um certo ritmo nos blogues normalmente os posts são escritos e programados com alguma antecedência isto também explica por que motivo nem sempre respondo logo aos comentários. Ao contrário da maioria normalmente faço isto ao fim de semana que é quando tenho tempo. Não quer dizer que não faça um post ou outro no próprio dia, e tudo isto para explicar que este blogue de vez em quando sofre um certo anacroninsmo no alinhamento dos acontecimentos no tempo.

Bem e agora vamos lá contar como correu a ida ao cinema ver os Angry Birds. Antes tenho de falar da minha vizinha que não só adorou ser raptada, mas tornou isso numa espécie de hábito, pois foi ela que nos desafiou.  E assim fomos 4: eu, ela, o Gonçalo e a mana, que descobri no final que tinha ido um pouco contrariada.  Antes do filme, mimado pela vizinha, o Gonçalo andou a tirar brinquedos das máquinas, numa daquelas que dá sempre prémio, mas mesmo assim o rapaz revelou jeito para pescaria. Depois a mãe pagou um daqueles jogos de Hóquei de mesa em que a Bá jogou contra o Gonçalo e fartou-se fazer batota, não fez nada, mas devia ter feito que não deixou o irmão ganhar.  A seguir a Fáfá (a minha vizinha) insistiu em pagar as pipocas porque eu paguei os bilhetes. O Gonçalo portou-se muito bem, embora se fizesse ouvir bem nas suas manifestações de alegria, gargalhadas, susto ou surpresa, mas quem não quiser ouvir isto de uma criança no cinema, escolha uma sessão para adultos onde já ouvi muito mais barulho. A Bá ficou um pouco envergonhada por o irmão gritar de susto e de entusiasmo, porém ela própria quando foi ver as crónicas de Nárnia também gritou e não foi pouco.  Ninguém mais se queixou e também ouvi gritos e risos de outras crianças. O filme foi giro tive de segurar e controlar o Gonçalo para não se entusiasmar demais. No que diz respeito ao filme como eu não tinha visto o 1 até gostei bastante achei bastante divertido e cheio de cor, ação e música, coisas que o Gonçalo gosta. Também transmitia uma boa mensagem sobre o que é ser importante para os outros e este foi um dos momentos bem passados das nossas férias que eu tinha prometido contar, mas que ia ficando para trás.  Bem o Gonçalo não se queria vir embora pelo que ainda fez uma birrinha de se deitar no chão ( e esta foi mesmo birra, mas também tem direito) felizmente, ninguém meteu o nariz onde não era chamado e ele acabou por se levantar depois de todos o rodearmos e dizermos que íamos embora no carro e ele ficava sozinho. Antes da perrice ainda deu para tirar umas fotos giras.

O Afeto não é um crime!

A minha opinião.

Na sequência deste artigo de um amigo sobre a notícia de um menino com 5 anos diagnosticado com TEA (Transtorno do espetro do autismo) que  foi acusado de assédio sexual por abraçar uma colega e dar beijinhos noutra; ele lembrou-se de mim e convidou-me   a escrever a minha opinião sobre o assunto como mãe de uma criança com T.E.A. Independentemente de ser mãe de uma criança com autismo, acho isto extremamente chocante e preocupante. Em primeiro lugar porque acho que isto vindo de qualquer criança de cinco anos é a coisa mais natural do mundo e o que este mundo tanto faz falta: O afeto puro.    Raramente nestes casos existe uma conotação sexual a não ser na cabeça dos adultos. Na verdade, a brincadeira de o menino ou da menina ter um namorado ou uma namorada, não passa disso normalmente, de uma brincadeira.  Da imitação da vida dos adultos.  Muito raramente ou extremadamente em casos que a criança possa ter assistido ou ter sido vítima de violência sexual estes casos se reportam a uma conotação sexual.

 

Vejo algumas campanhas com as quais eu não concordo que a criança dizer que tem namorado ou namorada é sexualizar a criança. Acho um completo absurdo, por esta ordem de ideias o nosso infelizmente já falecido cantor Carlos Paião estaria a sexualizar as crianças com a sua “Cinderela” ou a nossa Luísa Sobral mais recentemente com o seu “João”.

Entendo que se eduque para o respeito e para o afeto, o triste mesmo e que me parece que cada vez mais se condena o afeto e se ignora a violência.

 

 O que eu acho estranho e aberrante é que os adolescentes tenham vergonha de exprimir e receber afeto dos seus pais na presença dos seus pares. Isto demonstra o quanto somos uma sociedade cada vez menos afeita ao afeto. O que ainda acho mais aberrante é uma sociedade que acha normal oferecer armas como prendas de anos, condena afetos conotando-os como assédio sexual e a seguir admiram-se quando uma criança ou jovem entra por um escola a dentro a matar todos o que estão na sua frente, como infelizmente já sucedeu várias vezes.

 

Imaginem a confusão que iria na cabeça de uma criança de cinco anos neurotíptica (sem problemas demais) que fosse acusada de assédio sexual, por exprimir o seu afeto aos seus pares. Imaginaram? agora tentem entender isso numa criança cujas sensações e sentimentos são ampliados ao extremo da sensibilidade. 

Numa sociedade onde a violência é generalizada os afetos são cada vez mais necessários, porém como esta sociedade não foi educada para o afeto não sabe lidar com isso associando tudo ao sexo, o que me leva a crer que será o único tipo de afeto que conheceram na vida.

Acho que de facto este é um caso em que os adultos que condenaram esta criança pelas suas ações têm graves problemas não só na sua vida sexual como provavelmente desconhecem o afeto e têm com toda a certeza graves traumas de infância.

 

Quando o meu filho estava com hipoacusia severa ou surdez de transmissão (surdez total por não entrar som nos tímpanos), estava ao nível de um autismo severo e sem diagnóstico, nem ajuda médica, não sabíamos como comunicar com ele. A solução passou pelo toque e pelo afeto. E nem sempre foi fácil, ele assustava-se, rejeitava, batia-me, mordia-me, beliscava-me e o que fazia a mim, fazia ao pai e a irmã que ainda era pequena. Uma vez para evitar que ele se magoasse, ele quase lhe cortou a orelha à dentada, isto para terem uma noção do quanto o meu filho rejeitava o toque e qualquer tipo de aproximação. Mas nenhum de nós é de desistir e eu queria muito que o meu filho percebesse que nós estávamos ali para ele.

 O afeto e o toque são pedra motriz para o desenvolvimento. No momento em que escrevo isto, ele está ao pé de mim e acaba de me dar um beijinho, porque lhe digo que gosto muito dele e lhe pergunto se gosta da mamã e o beijinho é a resposta dele, melhor que qualquer palavra.

 

 O meu filho ainda reage agressivamente por vezes quando contrariado, ou quando não entende as brincadeiras, porém hoje ele é o menino dos abracinhos e dos beijinhos, quer em casa, quer na escola, quer no ATL que frequenta. E fico feliz que as pessoas o aceitem e o descrevam como uma criança geralmente meiga.

 

Contudo agora com sete anos está na fase da descoberta do seu corpo, que outras crianças provavelmente atravessaram mais cedo e dou por ele na casa de banho a explorar o seu corpo e fico sem saber como lhe explicar, para já a minha esperança é a evolução dele  ao longo dos anos , pois a que teve já foi maior do que algum dia eu pudesse imaginar.

No entanto desdramatizo a situação não focando a atenção como se ele estivesse a fazer algo errado quando o encontro a explorar o seu corpo, desvio a atenção para outra coisa

Para já continuo a dizer que não se bate nos amigos e a ensiná-lo a despedir-se com um abraço.

 Mas o preconceito sexual que regra geral se estende às pessoas com TEA também se estende a outros portadores de deficiência. Recordo um incidente há alguns anos atrás em que estive algum tempo à conversa com dois colegas de trabalho enquanto aguardávamos as nossas reuniões, ambos jovens e bem parecidos. Chamemos-lhes o João e o José. Entretanto o José teve uma reunião e eu o João ficámos a aguardar a hora da próxima e permanecemos à conversa.

    Qual não foi o meu espanto, quando alguém comentou em tom de brincadeira:

“Bem, estiveste a manhã toda à conversa com o João”, ao que retorqui:” Não. Estive a manhã toda à conversa com o João e o José, só que este teve de se ausentar mais cedo.” O pormenor aqui é que o José é cego, o que aos olhos de algumas pessoas já não torna tão interessante como o João.

 E isto é revelador de que as pessoas acham que as pessoas com deficiências assexuadas. Ou que só podem arranjar um parceiro com as mesmas características e conotam qualquer ação de cariz sexual, até mesmo uma piada como algo de preocupante, o que não fariam se fosse vindo de outra pessoa.

Felizmente são cada vez menos as pessoas a pensar assim e eu sonho que tal como qualquer outra pessoa o meu filho possa um dia construir a sua família  se for esse o seu desejo.

Até vou fazendo a minha parte de informar para combater o preconceito, escrevendo sempre que posso a minha experiência com um filho que me trouxe o desafio de ser mãe de uma criança com autismo e um síndrome raro no mundo e ainda mais no país ( síndrome de deleção 18p)