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Crónicas de uma mãe atrapalhada (2ªParte)

Um dia escrevi sobre as aventuras e desventuras das delícias da maternidade e do milagre da vida! Este é a continuação dessas aventuras com um menino especial e as suas peripécias.

Crónicas de uma mãe atrapalhada (2ªParte)

Um dia escrevi sobre as aventuras e desventuras das delícias da maternidade e do milagre da vida! Este é a continuação dessas aventuras com um menino especial e as suas peripécias.

O meu pequeno herói

 

Não há super mães, mas mães que amam os seus filhos. Eu falo por mim e por quem se reconhecer nas minhas palavras.

   Todas as crianças são especiais, mas umas mais do que outras. Todas as mães se deparam com desafios ao logo do crescimento dos seus filhos.  Não sei se só eu que por vezes me interrogo, se estou a ser uma boa mãe para os meus filhos.

Qual é a mãe que não tenta fazer o melhor pelos seus filhos? Creio que somente uma mãe que não ame os seus filhos.

  Creio que todas passamos noites sem dormir à cabeceira dos filhos quando estão doentes. Que vivemos horas de ansiedade quando temos um filho internado e que ficamos sem chão quando algo de errado se passa com os nossos filhos.

 

 A minha filha sempre foi muito elétrica, virou-se com três meses, gatinhou e falou aos seis meses e aos dois quem a ouvia falar, não acreditava que ela só tivesse dois anos. Com 39 graus de Febre fazia-me correr atrás dela pelo Hospital. Os médicos só acreditavam que ela estava doente quando lhe viam a temperatura, porque ela simplesmente não parava e não se calava. Ainda hoje não se cala… quem via perguntava-me: - Como é que aguenta?

Juro que estranhava a questão, mas respondia: -É simples é minha filha – e para mim nessa frase estava implícito o amor.

 

Agora perguntam-me o mesmo do meu filho, quando percebem que é um menino diferente.

E acrescentam que devo ficar estourada ao fim do dia. E eu respondo: - Sim, mas ele em casa é mais calmo e tranquilo. -  E de facto assim é.  E quando me perguntam como é que aguento a resposta é a mesma que dava há anos atrás quando a minha filha era pequena.

 

Já passei por muito, mas ele passou por muito mais, e soube arranjar forma de comunicar connosco. Quando perdeu a audição nos tímpanos recorreu aos gestos para se fazer entender.   Recorreu aos beijos e aos abraços para nos dizer que nos amava. Recorreu ao choro e às “birras” para nos dizer que não estava bem.  Quando queria que fossemos a algum lado com ele puxava-nos pela mão.   Se há alguém aqui que é Super em alguma coisa é o meu filho.

 

Ele é o meu herói! O menino que brincava sozinho na escola porque o punham de parte, o menino a quem batiam e depois iam fazer crer que tinha sido ele a começar porque ele não falava para se defender. O menino que não tinha amigos porque nenhuma criança se queria aproximar dele. O menino que tinha e ainda tem como seus melhores amigos os heróis dos desenhos animados e os bonecos das suas camisolas. O menino com quem ninguém queria jogar à bola. O menino que nunca nenhum colega convidou para a festa de aniversário.  E este menino conseguia ser incrivelmente feliz e sorrir!

Se há aqui algum herói, alguém cheio de coragem é este menino a quem a vida lhe pregou uma partida e ele enfrenta-a  diariamente cheio de garra. O meu pequeno   Super-Herói.

 Eu, sou só a mãe que o amo incondicionalmente.